Política

Investigada em CPI, Energisa terá 7 dias para retirar e repor 300 medidores em MS

A Energisa terá 7 dias para retirar 300 equipamentos de medição das casas de consumidores que reclamaram de supostas medições erradas da empresa para que técnicos da USP (Universidade de São Paulo) de São Carlos façam a análise técnica dos medidores. A decisão foi comunicada nesta segunda-feira (16) durante reunião da CPI (Comissão Parlamentar de […]

Evelin Cáceres Publicado em 16/03/2020, às 12h48 - Atualizado às 14h16

Capitão Contar e Felipe Orro durante reunião da CPI. (Luciana Nassar, Alems, Arquivo)
Capitão Contar e Felipe Orro durante reunião da CPI. (Luciana Nassar, Alems, Arquivo) - Capitão Contar e Felipe Orro durante reunião da CPI. (Luciana Nassar, Alems, Arquivo)

A Energisa terá 7 dias para retirar 300 equipamentos de medição das casas de consumidores que reclamaram de supostas medições erradas da empresa para que técnicos da USP (Universidade de São Paulo) de São Carlos façam a análise técnica dos medidores. A decisão foi comunicada nesta segunda-feira (16) durante reunião da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga a empresa na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.

A Comissão usou o site sorteador.com.br para, entre as 2.289 reclamações, sortear 300 equipamentos a serem retirados. Desses, 200 serão encaminhados para os técnicos fazerem análises. As retiradas acontecem a partir da próxima quarta-feira (18) e a empresa terá também sete dias para repor os equipamentos.

De acordo com o presidente da CPI, deputado estadual Felipe Orro (PSDB), técnicos do Inmetro acompanharão as inspeções nos relógios na USP. Técnicos da CPI também farão o acompanhamento com as equipes da Energisa para a retirada dos padrões.

Energisa tentou contato com técnicos

Na sexta-feira (13), a CPI da Energisa enviou um ofício para a empresa provedora de energia, para que ela não tente contato com as entidades envolvidas no processo de perícia dos medidores coletados. O Ofício 033/2020 foi enviado após tentativa de um dos técnicos da Energisa, responsável por acompanhar o processo, entrar em contato com professores que fazem parte da pesquisa pericial.

Sobre o assunto, o deputado informou que ‘o contato não foi feito oficialmente. De forma obscura, dá margem para interpretação’. Segundo Orro, um funcionário da Energisa se passou por técnico da CPI tentando informações sobre a perícia na USP.

“Imediatamente este técnico entrou em contato com a gente e relatou o fato. Haviam tentado ligar oito vezes”, comentou.

Segundo publicação da ALMS (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), o técnico teria apresentado como representante da Comissão para os professores e pesquisadores da Universidade de São Carlos. O deputado e presidente da Comissão, Felipe Orro, considerou a tentativa como inaceitável.

“Demonstra um total desrespeito tanto à CPI quanto à Universidade, que fará um trabalho isento e não aceita interferência de nenhuma parte”, pontuou o deputado. O funcionário da empresa foi apresentado oficialmente como responsável por acompanhar os trabalhos da CPI na última terça-feira (10).

Requerimento 

Na última sexta-feira (13), a Energia emitiu nota detalhando como foi o contato com a universidade, feito para entender os procedimentos técnicos que seriam adotados na aferição dos medidores. Confira a íntegra da manifestação da empresa e o requerimento enviado, que pode ser conferido clicando aqui.

Nota de Esclarecimento

A Energisa esclarece que seu representante técnico nomeado para acompanhar na CPI, nos termos e prerrogativas garantidas na legislação processual civil, entrou em contato com a Universidade de São Carlos, sem sucesso, por meio do professor Rogério Andrade Flauzino para entender os procedimentos técnicos a serem adotados na aferição dos medidores contratada pela CPI.

A concessionária protocolou na universidade um requerimento com perguntas técnicas sobre a metodologia realizada pela perícia e a qualificação da instituição para tal. A Energisa busca coletar informações acerca da acreditação dos laboratórios da USP São Carlos perante o INMETRO, que é o órgão que atesta a capacitação para manipular os medidores de energia das distribuidoras de energia elétrica. A ausência dessa acreditação torna a perícia inválida.

Explica ainda que NÃO houve proibição de contato pela comissão parlamentar, e que o ofício enviado para a Energisa, foi posterior a tentativa de contato realizada pela concessionária.

A concessionária reitera que NÃO se opõe à investigação, tampouco à realização da prova técnica, mas que algumas informações são estritamente necessárias para que o processo tenha valor técnico e legal, e para que não gerem desperdício de recurso público.

Matéria atualizada às 14h16 do dia 16/03 para acréscimo do posicionamento da Energisa sobre o caso. 

Jornal Midiamax