Política

Deputados batem boca por falta de quórum e culpam agenda do governo

Veto do governo não foi analisado

Joaquim Padilha Publicado em 26/04/2018, às 12h32 - Atualizado às 18h34

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A falta de quórum na sessão ordinária desta quinta-feira (26) da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul gerou discussão entre os deputados, que iam analisar um veto do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e outros três projetos. Maior parte da bancada da Casa, que é tucana, não compareceu e a agenda oficial do governador em cidades de fronteira com o Paraguai foi citada como justificativa para as faltas.

A votação dos projetos da ordem do dia ficou prejudicada após o deputado Márcio Fernandes (MDB) e George Takimoto (MDB) deixarem a sessão após a votação e aprovação do primeiro projeto, a instituição do Abril Verde, mês de prevenção aos acidentes de trabalho. Os parlamentares deixaram a sessão enquanto o deputado Paulo Siufi (MDB) pedia a derrubada do veto do governador ao projeto que coloca na fila de prioridade para vacinação feirantes e trabalhadores do Mercado Municipal e Feira Central.

Com a saída, restaram apenas doze parlamentares na Casa. O regimento permite votações da ordem do dia apenas com quórum de 13 deputados.

O presidente da Casa, Junior Mochi (MDB) fez um pedido formal ao deputado Rinaldo Modesto (PSDB), líder do governo, para que os parlamentares da base de governo não faltassem às sessões, mas segundo Rinaldo, apenas quatro deputados teriam acompanhado a agenda.

Mochi pediu que Rinaldo conversasse com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) para que o chefe do Executivo fizesse suas agendas em dias que não coincidissem com votações na Assembleia, pois “acabava atrapalhando o trabalho do Legislativo”, apesar de entender que os deputados têm emendas nesses locais e que gostam de entregar as obras, quando prontas.

O líder do governo rebateu. “Cada um é responsável pelos seus atos, independente da questão partidária”. Rinaldo argumentou que o desfalque entre os tucanos não justificava a falta de quórum e que em 14 anos de legislatura nunca havia precisado usar o microfone para debater a questão.

“Eu nunca usei esse microfone pra expor ninguém”, disse o parlamentar. “Nós temos que descontar de quem não tem justificativa [para faltar]. Qual é a justificativa no horário da sessão, se a pessoa não está internada? Marca seus compromissos pra segunda”, complementou.

Quando foi aberta a Ordem do Dia, estavam presentes dos deputados Cabo Almi, João Grandão e Amarildo Cruz  (PT), Maurício Picarelli, Felipe Orro e Rinaldo Modesto (PSDB), Paulo Siufi, Márcio Fernandes, Junior Mochi e George Takimoto (MDB), Barbosinha e Zé Teixeira (DEM), Herculano Borges (SD) e Lídio Lopes (PEN).

Veto sobre vacinação 

Paulo Siufi (MDB) usou a tribuna para pedir a derrubada do veto do governador, que aprovou a lei de vacinação em 2009.

“É somente uma emenda, que foi classificada como ‘de conveniência e oportunismo’. Mas aí vem o ‘senhor da razão’ e veta. É um absurdo porque em 2009 ele era membro da CCJR (Comissão de Constituição, Justiça e Redação) quando era deputado nesta Casa e aprovou. Por que agora a questão é de prerrogativa do Executivo?”, questionou Siufi.

Rinaldo rebateu, afirmando que quando é de interesse e o projeto é aprovado, o deputado ‘aplaude’. “Quando o governo é contra, fica criticando”.

Joaquim Padilha e Evelin Cáceres

Jornal Midiamax