Parlamentar pede programa de prevenção ao suicídio de jovens em MS

Após ir a uma escola do interior do Estado e ouvir relatos de crianças de 13 e 14 anos com transtornos de ansiedade e automutilação, o deputado Pedro Kemp (PT) usou a tribuna nesta quinta-feira (17) para pedir ao governo do Estado ações de prevenção à depressão e ao suicídio nas escolas estaduais. O parlamentar […]
| 17/05/2018
- 16:41
Parlamentar pede programa de prevenção ao suicídio de jovens em MS

Após ir a uma escola do interior do Estado e ouvir relatos de crianças de 13 e 14 anos com transtornos de ansiedade e automutilação, o deputado Pedro Kemp (PT) usou a tribuna nesta quinta-feira (17) para pedir ao governo do Estado ações de prevenção à depressão e ao suicídio nas escolas estaduais.

O parlamentar afirmou que os casos têm aumentado pelo interior do Estado e pouco é feito pelo poder público em relação ao assunto. “Fui a uma escola que abraçou a causa após uma das alunas cometer suicídio, levando palestras e dando apoio”, relatou. Mas ainda falta que a Secretaria Estadual de Saúde e de Educação tenham programas voltados para o assunto, segundo o parlamentar.

“É difícil e é um trabalho a ser realizado por profissionais. Muitas vezes o adolescente tenta explicar para os pais que estão tristes, mas muitos adultos acham que é frescura. É um assunto que precisa ser levado mais a sério”, conta.

Suicídios no Estado

O Mapa da Violência 2014 mostra que Campo Grande tem a quarta maior taxa de suicídio entre os jovens de todo o Brasil. Entre os índios, as oito cidades do Estado com as etnias Guarani Kaiowá somam mais mortes do que nas cidades com índios no Amazonas, Estado com a maior concentração da população.

As estatísticas do Mapa da Violência 2014 mostram uma alarmante tendência, que não é apontada no Mapa de 2016, que trata somente de mortes por armas de fogo: entre 1980 e 2012 a taxa de suicídio no Brasil cresceu em 62,5%. Destes, 33,3% registrados entre 2000 e 2012, representando um grande aumento no crescimento a partir da virada do século.

Os números gerais do relatório do Mapa da Violência 2014 mostram que entre os anos 2002 e 2012, o aumento na taxa de suicídios foi maior que o crescimento populacional. O total de suicídios no país passou de 7.726 para 10.321, o que representa um aumento de 33.6% e o crescimento da população foi de 11,1% no mesmo período.

Segundo as conclusões do Mapa da Violência de 2014, estes números assustadores não recebem a devida atenção por estarem crescendo à sombra das mortes causadas por acidentes de trânsito e homicídios, com taxas entre 4 e 6 vezes maiores, o que estaria deixando o assunto fora da atenção. Além disso, a questão é delicada e permanece entremeada por receios e tabus.

Mato Grosso do Sul

As notificações de suicídio colocam cidades do Mato Grosso do Sul nas primeiras posições de rankings nacionais. Um dos fatos que contribui para essa realidade é o suicídio entre os Guarani e Kawioás. Na tabela gerada pelo Mapa da Violência 2014 com os 13 municípios com mais suicídios entre indígenas, Mato Grosso do Sul figura com 8 cidades.

O relatório produzido pelo Mapa da Violência de 2014 faz a comparação entre a população indígena no Brasil, que segundo o Censo Demográfico de 2010, os 821,5 mil indígenas representavam 0,4% da população. No Brasil, os suicídios entre os indígenas representam 1,0%, ou seja, duas vezes e meia do esperado pela participação demográfica. De acordo com o relatório emitido pelo Mapa da Violência “em Mato Grosso do Sul, a participação indígena nos suicídios é mais preocupante ainda. Pelo Censo de 2010, são 2,9% da população, mas 19,9% nos suicídios: quase sete vezes mais”.

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