Frentista, engenheiro e delegada: eles contam por que querem entrar na política com desejo de ‘mudança’

A palavra ‘mudança’ sempre foi clichê entre os candidatos, mas nunca foi tão forte para ser usada em discursos durante as eleições diante da crise enfrentada pela classe política após grandes esquemas de corrupção serem desvendados em operações nacionais e locais. E é ela que mais aparece quando entrevistamos pré-candidatos que vão concorrer pela primeira […]
| 20/05/2018
- 16:11
Frentista, engenheiro e delegada: eles contam por que querem entrar na política com desejo de ‘mudança’

A palavra ‘mudança’ sempre foi clichê entre os candidatos, mas nunca foi tão forte para ser usada em discursos durante as eleições diante da crise enfrentada pela classe política após grandes esquemas de corrupção serem desvendados em operações nacionais e locais. E é ela que mais aparece quando entrevistamos pré-candidatos que vão concorrer pela primeira vez às urnas em 2018.

O Jornal Midiamax procurou saber o que motiva um frentista, uma delegada, uma auditora, um empresário e um engenheiro a concorrerem e é uníssono a vontade de participar do processo para tentar minimizar a descrença e o desinteresse das pessoas pela política.

Todos pretendem ter o nome carimbado após as convenções partidárias como candidatos às eleições para o cargo de deputado estadual, atuando na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, fiscalizando as contas estaduais e formulando leis estaduais pelos próximos quatro anos. Uma delas vai disputar vaga ao Senado e outra pleiteia vaga de deputada federal.

Frentista, engenheiro e delegada: eles contam por que querem entrar na política com desejo de 'mudança'
O pré-candidato a deputado estadual Alfredo Lagartixa (PPS)

Para o frentista e presidente sindical Alfredo Benitez, o Lagartixa (PPS), de 51 anos, é preciso pensar nas classes C, D e E. “Coloquei meu nome para disputar mesmo porque os nossos governantes hoje não fazem nada relacionado ao povo, só pensam neles mesmos. Hoje nós vivemos uma servidão política, trabalhista e também educacional. É imposto um limite até nessa área e dali não podemos passar”, argumenta.

À frente de um sindicato desde 2011, Alfredo diz que sempre esteve envolvido, mas nunca pensou em se candidatar. “Eu sempre gostei muito de política, mas me filiei no ano passado. Estou recebendo muito apoio”. Sobre ideias de projetos, o pré-candidato diz aguardar a oficialização da candidatura para divulgá-las.

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Sidneia Tobias (PDT) é delegada da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul

Delegada de polícia há 28 anos, Sidneia Tobias (PDT), de 53 anos, disse ter recebido um convite do PDT para disputar. “O momento político atual justifica, por si só, que o que eu quero como pré-candidata é a mudança. Um futuro melhor para a minha filha, meus futuros netos, para todos nós, que precisamos nos envolver muito mais e entender que as leis que devemos seguir são feitas pelos políticos”.

Sidneia, que já atuou em diversas delegacias de Campo Grande e no interior, assim como na fronteira do país com o Paraguai, diz que garantir a segurança pública é um dos pontos fortes do seu projeto político. “Com segurança, conseguimos ter avanço na educação, na garantia do pagamento de impostos, gerando renda e empregos. Eu não tenho dúvida que tudo o que eu já vivi na segurança vai colaborar muito para apresentar projetos para a educação, saúde, jovens e mulheres, as maiores vítimas da violência doméstica em uma situação que influencia até mesmo na criação dos filhos e de perspectiva do seu próprio futuro”.

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Priscila (Novo) é auditora de controle externo pós graduanda em Contabilidade Pública

Auditora de controle externo, Priscila Baggio (Novo), de 44 anos, que cursa Ciências Contábeis e é pós-graduanda em Contabilidade Pública e Lei de Responsabilidade Fiscal, diz encontrar motivação para ser pré-candidata na construção de um novo caminho na política. “Não dá mais para esperar que os outros façam a mudança que a gente quer ver na sociedade. Cada um tem que ter a sua contribuição para isso e a mim surgiu um convite para disputar as eleições que eu abracei. Poderia contribuir de outras formas, mas foi natural assim e eu vou disputar”.

Priscila pretende levar ao debate questões como a meritocracia e a reforma tributária aliada à privatização. “Não podemos mais ter em cargos importantes para a sociedade pessoas indicadas por políticos. Tem que ter um processo seletivo para que as pessoas cheguem a esses lugares por mérito”. Para enfrentar vários políticos antigos nas urnas, a servidora acredita que a pré-candidatura ajuda também a formar novas visões nos eleitores.

“Foram anos para chegarmos a esse ponto onde estamos e levará muito tempo ainda para fazer o caminho inverso, mas para disputar é preciso estar firme. Não vamos resolver todos os problemas na próxima eleição, porém temos que ter pessoas envolvidas e engajadas para que a médio e longo prazo seja vista esta mudança. E cada um tem que dar a sua contribuição. A minha é ajudar na mudança da mentalidade das pessoas, mudar a cultura do país, trabalhando ao longo deste período na divulgação de ideias”.

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Edson (PSC) começou a trabalhar carregando caixas e hoje é empresário

Empresário do ramo de construção, Edson Almeida (PSC), de 68 anos, disse ter se reunido com a família para decidir o que fazer. “Chegou em um ponto que uni meus filhos, dez netos e esposa e disse que tínhamos dois caminhos para trilhar: ou vendermos todos os nossos bens e mudarmos de país ou lutarmos por um Brasil melhor, e nós ficamos com a segunda opção”.

Ele e a esposa fazem palestras pelo Estado sobre família e resolveram lançar a pré-candidatura dele como deputado estadual. “Eu pretendo ouvir muito a população para que as coisas passem a ser feitas pensando na sociedade. Hoje em dia muito é decidido em favor dos políticos e as escolhas têm que ser feitas pensando nas pessoas. Eu tenho meus posicionamentos, minhas ideias, mas elas de fato atendem ao que a população quer? Até mesmo na minha empresa, todas as propostas são discutidas com meus funcionários. Não é assim que eu pretendo fazer política”, disse.

Edson conta que enfrentou resistência até de colegas empresários. “Ouvi muito falas como ‘cara, você está com a vida tranquila, é um empresário que a gente admira e vai entrar nessa?’. Mas eu responso que é exatamente por ‘não entrar nessa’ que a gente está vivendo o que virou do país. E enfrentar tudo isso não vai ser fácil. Vamos depender das pessoas que estão juntas nessa caminhada”, resume.

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Ari foi matéria em rede nacional por tapar buracos da sua rua

O engenheiro agrônomo e mestre em Física de Solo que resolveu colocar a ‘mão na massa’ e tapar buracos da sua rua, Ari Fialho Ardenghi (PDT), de 72 anos, também vai disputar as urnas pela primeira vez. “Nós precisamos fazer alguma coisa e urgente. Por isso decidi ser pré-candidato porque a gente não pode mais ficar só criticando. A gente tem muitos problemas grandes como saúde, segurança, educação. E menores como a questão do tapa-buraco. É preciso acabar com esse sistema de remendo que já existe há 20 anos na cidade e recapear”, propõe.

Para o engenheiro, é preciso ter coragem para disputar. “As pessoas precisam participar mais da política e entender que feio é politicagem. Política é uma coisa muito bonita e séria. E sem a comunidade ninguém trabalha. Quero pautar minha pré-candidatura nisso, em unir a comunidade e propor projetos junto à comunidade, lidando primeiro com as questões mais urgentes e depois com outras. A gente vive num sistema onde cuidar da segurança pública é correr atrás de bandido, mas temos que trabalhar para evitar que a bandidagem, se forme, dando acesso à educação. Também penso muito na valorização dos professores, nos agentes de segurança pública, que têm papel fundamental na sociedade”, finaliza.

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Soraya em evento na escola de governo de Harvard com mulheres da política de 14 países

 

Com MBA em Direito Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas e curso de extensão na Universidade de Governo de Harvard, a advogada Soraya Thronicke (PSL) vai disputar por uma vaga no Senado Federal. A vontade de concorrer, segundo a pré-candidata, surgiu após atuar defendendo os ideais dos movimentos de rua contra a corrupção e do setor produtivo pelo direito à propriedade. “Entendi que o protesto, por mais acirrado que seja, não é suficiente para fazer com que os nossos políticos ajam de forma séria e eficiente. Para realmente fazer a diferença é necessário ter a caneta na mão, razão pela qual resolvi colocar o meu nome à disposição da sociedade”.

A advogada tem entre as propostas que pretende discutir temas como a segurança pública, o respeito à propriedade privada e proteção da mulher, criança e adolescente. “Tem que haver rigidez na aplicação das leis e mudança no sistema prisional, para que presos arquem com a despesa da custódia. Também é preciso primar pela qualidade da educação elementar, garantir a cobertura básica de saúde; repensar todo o sistema bancário, de forma a obter a diminuição do juros; simplificar o sistema tributário que atualmente gera desigualdade e desemprego e diminuir a intervenção do Estado”.

“O combate à corrupção precisa continuar de forma cada vez mais rígida. A população hoje sabe que precisamos de mudança, e essa é a nossa única esperança. Com a manutenção dos mesmos políticos, a tendência é levar o Brasil a uma situação muito pior. Creio na força do povo brasileiro, que dará a volta por cima por meio das urnas”, acredita.

Candidaturas

Os partidos políticos e coligações formadas para disputar as eleições de 2018 terão até às 19h de 15 de agosto para requerer à Justiça Eleitoral os registros dos candidatos escolhidos nas convenções partidárias. Para terem os deferimentos pelos Tribunais Eleitorais, os candidatos a presidente da República, a senador, a governador de Estado, a deputado federal, estadual ou distrital devem cumprir todas as condições de elegibilidade e não incorrerem em nenhuma das causas de inelegibilidade previstas na Lei Complementar n° 64/90. As eleições estão marcadas para o dia 7 de outubro, em primeiro turno, e no dia 28 de outubro, nos casos de segundo turno.

Para concorrer às eleições, o candidato deverá possuir domicílio eleitoral na respectiva circunscrição e estar com filiação deferida pelo partido político seis meses antes do pleito. São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos. E, também, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do presidente da República, de governador de estado ou do Distrito Federal ou de quem os tenha substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição; e os que se enquadrarem nas hipóteses previstas na Lei de Inelegibilidade.

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