Política

Comissão que discute ataques a igrejas vai produzir cartilha e orçar novos centros sociais

Grupo formado por deputados e representantes de entidades civis e de segurança que discute ataques recentes a igrejas católicas em Campo Grande se reuniu pela segunda vez nesta quarta-feira (5). Alguns dos resultados concretos do encontro é a criação de uma cartilha com orientações para os responsáveis pelas igrejas e orçamento para construção de pelo […]

Aliny Mary Dias Publicado em 05/09/2018, às 14h42 - Atualizado em 06/09/2018, às 07h31

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Comissão que discute ataques a igrejas vai produzir cartilha e orçar novos centros sociais
Foto: Luciana Nassar/ALMS

Grupo formado por deputados e representantes de entidades civis e de segurança que discute ataques recentes a igrejas católicas em Campo Grande se reuniu pela segunda vez nesta quarta-feira (5). Alguns dos resultados concretos do encontro é a criação de uma cartilha com orientações para os responsáveis pelas igrejas e orçamento para construção de pelo menos três novos centros de acolhimento para moradores de rua.

De acordo com os estudos já desenvolvidos pela Polícia Militar e Civil, dos nove furtos e roubos a igrejas católicas nos últimos meses, grande parte deles tiveram moradores de rua como autores dos delitos. Os casos ganharam repercussão depois dos criminosos destruíram espaços santos, como o sacrário, durante os furtos ou roubos.

Representantes da PM que participaram da reunião, entre eles o comandante metropolitano coronel Monari, reforçaram a dificuldade em acabar com esse tipo do crime em razão de decisões judiciais que soltam os presos horas depois dos crimes.

Segundo os policiais, em pelo menos três casos de ataques a igrejas os autores foram identificados e presos e até objetos recuperados. No entanto, horas depois das prisões, os criminosos acabaram soltos depois de passarem por audiência de custódia.

Diante da dificuldade, o consenso entre o grupo é prevenir o crime acolhendo e tratando moradores de rua. Representantes da Secretaria Municipal de Assistência Social afirmaram, no entanto, que há dificuldades no caso porque entre os moradores há viciados em entorpecentes e até pessoas com transtornos psiquiátricos.

Para o secretário estadual de Segurança, Carlos Videira, uma das atitudes que podem ajudar a resolver o problema é a sociedade não dar esmolas para os moradores de rua, o que faria com que eles procurassem ajuda em centros de assistência com menos resistência.

“É um problema da sociedade, falta de conscientização das pessoas ajudarem, prevenção e repressão”, afirma Videira.

Ainda segundo a PM, recentemente foram identificados no Centro de Campo Grande 320 moradores de rua, depois de ações da polícia, o número baixou para 180. No entanto, ações de saúde pública são essenciais para que as pessoas não voltem para rua e acabem praticando delitos na igreja.

O próximo encontro do grupo está marcado para o dia 10 de outubro. A expectativa é que até lá cartilha com orientações para aumentar a segurança das igrejas estejam prontas e orçamento para construção de pelo menos três centros de acolhimento de pessoas em condição de rua sejam apresentados.

Participam da comissão os deputados Paulo Siufi (MDB), Cabo Almi (PT) e Barbosinha (DEM), Herculano Borges (Solidariedade), representantes da OAB, Defensoria Pública, Polícia Civil, Militar, Conselho de Segurança do Centro além de representante da Arquidiocese de Campo Grande.

Assumir ônus

Para o deputado Paulo Siufi, os custos com segurança não podem ficar a cargo das igrejas. “Muitas igrejas e templos não têm condições de pagar por esse serviço, pois vivem de doações e dízimo. Além disso, esse não é o papel delas”.

O deputado diz que o trabalho de segurança do entorno das igrejas precisa ser desempenhado pelo poder público. “Muitas pessoas estão com medo e deixando de ir às missas e cultos no período da noite”, completa.

Jornal Midiamax