Política

Baird usava ‘laranja’ para transações de dólar-cabo e envio de dinheiro ao exterior, revela PF

(Com Richelieu Pereira) Em coletiva nesta terça-feira (27), a Polícia Federal explicou que o empresário João Roberto Baird, apontado como dono de um conglomerado de empresas de tecnologia em Mato Grosso do Sul, estava usando um ‘laranja’ para enviar dinheiro ao exterior e para realizar transações de dólar-cabo. Romilton Rodrigues da Silva era funcionário da […]

Evelin Cáceres Publicado em 27/11/2018, às 12h21 - Atualizado em 28/11/2018, às 07h46

José Paulo Barbieri, da CGU em MS; o superintendente da Polícia Federal em MS, Luciano Flores, o delegado da PF, Cléo Mazzotti e o superintendente da Receita Federal José Maria Nogueira (Foto: Marcos Ermínio)
José Paulo Barbieri, da CGU em MS; o superintendente da Polícia Federal em MS, Luciano Flores, o delegado da PF, Cléo Mazzotti e o superintendente da Receita Federal José Maria Nogueira (Foto: Marcos Ermínio) - José Paulo Barbieri, da CGU em MS; o superintendente da Polícia Federal em MS, Luciano Flores, o delegado da PF, Cléo Mazzotti e o superintendente da Receita Federal José Maria Nogueira (Foto: Marcos Ermínio)

(Com Richelieu Pereira)

Em coletiva nesta terça-feira (27), a Polícia Federal explicou que o empresário João Roberto Baird, apontado como dono de um conglomerado de empresas de tecnologia em Mato Grosso do Sul, estava usando um ‘laranja’ para enviar dinheiro ao exterior e para realizar transações de dólar-cabo.

Romilton Rodrigues da Silva era funcionário da ex-esposa de Baird e acabou tornando-se um dos seus principais laranjas após o início da Operação Lama Asfáltica, em 2015. De lá para cá, Baird tenta, segundo a PF, esquivar-se do esquema de recebimento e lavagem de propina para o ex-governador André Puccinelli.

As empresas apontadas pelas investigações que seriam de Baird somam, juntas, contratos de quase R$ 800 milhões com o governo entre os anos de 2012 e 2017. Baird teria usado Romilton para operações de dólar-cabo, um sistema paralelo que camuflava remessas de dinheiro do Brasil para o Paraguai, onde Baird e o laranja até compraram uma fazenda, e vice-versa.

No sistema, o dinheiro é entregue a um doleiro no país, que disponibiliza a quantia em uma conta no exterior, geralmente controlada por ele.

Empresas em nome de laranjas

Até mesmo empresas compradas no Paraguai foram compradas com a finalidade de lavar dinheiro do grupo que desviava recursos públicos de Mato Grosso do Sul. A RAVE, comprada logo após a deflagração da primeira fase da Lama Asfáltica, seria de João Baird e de Celso Cortez e é citada como uma ‘extensão da PSG no Paraguai’, onde já possui contratos.

Nos documentos oficiais da empresa, no entanto, aparecem como proprietários Fábio Portela Machinsky e Luís Fernando de Barros Fontolan, alvos de busca e apreensão nesta terça. A empresa teria sido adquirida por R$ 40 mil para lavar dinheiro do grupo.

Romilton, que tinha uma renda anual próxima a R$ 15 mil, surgiu em declarações à Receita Federal como sócio da Granadera Canadá, uma propriedade que fica em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. A PSG e Baird possuem cotas da fazenda.

Da empresas, a Polícia Federal conseguiu identificar saques que ultrapassam os 300 milhões de dólares. Entre os beneficiários estão os laranjas e os empresários, além de um advogado de Dourados.

Repatriação de recursos

Em 2016, um programa do Governo Federal permitiu a repatriação de dinheiro enviado ao exterior por empresários brasileiros ainda não declarados à Receita Federal.

Romilton tentou trazer dinheiro ao país por meio do programa, o que acabou identificando que o verdadeiro proprietário era Baird. “Esse laranja apresentou uma Decat – Declaração de regularização de recursos no exterior – que não teria origem. Ele tentou lavar esse dinheiro para disponibilizá-lo no Brasil de forma regular”, explicou o superintendente da Receita no Estado, José Maria Nogueira.

Computadores de Lama

São cumpridos 29 mandados, sendo quatro de prisão preventiva e 25 de busca e apreensão, além do sequestro de valores nas contas bancárias dos investigados e empresas investigadas.

As cidades alvo da operação são Campo Grande, Jaraguari, Dourados e Paranhos. Ao todo, 100 policiais federais, 17 servidores da CGU e 33 servidores da Receita Federal participam da operação.

Em todas as fases da operação Lama Asfáltica, 57 pessoas foram denunciadas, entre elas o ex-governador do Estado André Puccinelli, que está preso desde julho deste ano em uma das fases deflagradas pela Polícia Federal.

Jornal Midiamax