Política

Santa Casa fala em déficit de R$ 43 milhões e vereadores pedem CPI da Saúde

Hospital disse atender 1,5 milhão de carteirinhas SUS 

Ludyney Moura Publicado em 04/04/2017, às 15h18

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Hospital disse atender 1,5 milhão de carteirinhas SUS 

Vereadores de Campo Grande convidaram Esacheu Nascimento, presidente da ABCG (Associação Beneficente de Campo Grande), entidade que administra a Santa Casa, para apresentação de um balanço do funcionamento do hospital, e receberam informação de a entidade fechou 2016 com um déficit de R$ 43 milhões.

Segundo Esacheu, de um orçamento de R$ 242,6 milhões para 599.023 procedimento, o hospital gastou em 2016 R$ 287,7 milhões com 1.460,986 procedimentos. Foram mais de 860 mil procedimentos a mais do que os contratados, resultando no déficit de R$ 43,8 milhões.

De janeiro a dezembro do ano passado foram 26.649 internações na Santa Casa, que tem um total de 666 leitos, resultando em uma média mensal de 2,2 mil, como se três pacientes fosse internados por hora.

Além da diferença entre gastos e receitas, a Santa Casa tem uma dívida consolidada de R$ 123 milhões, sendo R$ 59,2 milhões apenas com a Caixa Econômica Federal. Para Esacheu, a dívida aumentou durante o período da intervenção judicial, entre 2005 a 2013.

O vereador Delegado Wellington (PSDB), disse que os dados apresentados por Esacheu não são os mesmo que a Prefeitura da Capital forneceu à Câmara. O tucano disse que os dados do hospital apresentam 1.012 internações a mais e 1,3 mil procedimentos a mais do que o levantamento feito pelo município.

“Os números se baseiam nos mais de 14 mil prontuários do hospital”, rebateu o presidente da ABCG.

Para o também tucano Antônio Cruz, é preciso uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Saúde. “O gasto é muito e o resultado insignificante”, disparou o vereador, que recebeu apoio dos colegas na proposição, como Dharleng Campos (PP), João Cesar Mattogrosso (PSDB) e Ayrton Araújo (PT).

Esacheu afirmou que é necessário melhor regulação dos pacientes por parte do poder público. “O HU (Hospital Universitário) fecha de duas a três vezes por ano, o Hospital Regional não mantém atendimento e as UPAs não funcionam”, disparou. Segundo ele, o funcionamento adequado da rede não sobrecarregaria o maior hospital do Estado.

Vinicius Siqueira (DEM) chegou a sugerir que a Câmara contratasse uma auditoria para inspecionar a Santa Casa, que possui, segundo, orçamento maior que muitos municípios do Estado.

Já o diretor do hospital, disse que é preciso uma investigação na emissão de carteirinhas do SUS. Nascimento revelou que a Santa Casa atende, por ano, 1,5 milhão de carteirinhas, enquanto Campo Grande tem pouco mais de 800 mil habitantes. “Há uma fraude na emissão de carteiras”, frisou. 

Jornal Midiamax