Política

Para driblar burocracia, líder LGBT pede nome masculino no Diogrande ao assumir cargo

Cris Stefanny é coordenadora de Políticas e Assuntos de Diversidade Sexual

Evelin Cáceres Publicado em 07/07/2017, às 14h54

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Cris Stefanny é coordenadora de Políticas e Assuntos de Diversidade Sexual

Cris Stefanny foi nomeada nesta sexta-feira (07) pelo prefeito Marquinhos Trad (PSD) como coordenador de Políticas e Assuntos de Diversidade Sexual na Subsecretaria de Defesa dos Direitos Humanos de Campo Grande. Mas quem procurar o nome dela no Diário Oficial, vai encontrar apenas o nome de registro da travesti.

Em conversa com o Jornal Midiamax, a própria coordenadora explicou que existem entraves burocráticos para que a nomeação seja feita com o registro social e não o de batismo. Apesar de o uso do nome social ser uma das bandeiras dos movimentos de defesa dos direitos LGBT, foi ela mesma que pediu a nomeação com o nome masculino.

“Existe lei municipal e estadual para que sejamos tratadas pelo nome social, mas existem entraves burocráticos ainda que não foram resolvidos a nível federativo e depois fica complicado provar que Cris Stefanny é Cristiano”, pondera.

Apesar dos avanços, ainda não há uma legislação federal que permita o reconhecimento do nome social. “Na outra gestão, fui nomeada pelo registro social, mas enfrentei muita burocracia e tive até que pedir a renomeação com o nome de registro de nascimento”, argumentou.

E mesmo com a polêmica em torno do nome social, Cris pondera que a luta das travestis e minorias sociais é muito maior que essa. “Lógico que nas repartições, onde trabalharei, vou ser tratada pelo nome social. Mas temos várias emergências, como a falta de uma rede de apoio para combater violência, exclusão social, vulnerabilidade social. Não é como a rede das mulheres, que há uma rede de proteção. Para o público LGBT não existe nada disso a nível nacional”.

Na política local, a coordenadora vê avanços.  “Só do prefeito Marquinhos Trad reconhecer que é preciso incluir as minorias sociais na discussão política, criando uma pasta como a Subsecretaria de Defesa dos Direitos Humanos, assim como o governo do Estado fez, é um avanço. Precisamos trabalhar, há tanto para fazer, é preciso ver se teremos pernas para tanto”, justifica.

A coordenadora justifica que não há ‘receita pronta’, mas a continuação de um trabalho que já começou. “Na gestão passada fizemos um plano de trabalho. É hora de sentar e ver o que avançou, o que precisa ser melhorado e saírem propostas desse enxugamento para trabalharmos”, avaliou. 

Jornal Midiamax