Política

Propina de empreiteira contratada pela Petrobrás era doada à campanha de Dilma

Ex-presidente da Andrade Gutierrez afirmou que dinheiro vinha de contratos superfaturados de obras

Joaquim Padilha Publicado em 07/04/2016, às 13h58

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Ex-presidente da Andrade Gutierrez afirmou que dinheiro vinha de contratos superfaturados de obras

Propina da construtora Andrade Gutierrez abasteceu a campanha de Dilma Rousseff (PT), segundo o ex-presidente da empreiteira, Otávio Marques de Azevedo. Ele deu as informações em delação premiada na Operação Lava-Jato, conforme divulgado pelo jornal "Folha" nesta quinta-feira (7). A empreiteira teria feito doações legais à campanha da presidente em 2010 e 2014, mas usando dinheiro ilegal oriundo de construções superfaturadas do governo, principalmente da Petrobrás e do setor elétrico.

Segundo a reportagem da "Folha", Azevedo e ex-executivos da empresa afirmaram que o esquema de propina ganhou mais força com a construção da Usina de Belo Monte. Outras obras citadas pelos delatores seriam estádios da Copa do Mundo, como o Maracanã, no Rio, a Arena Amazônia, em Manaus, e o Mané Garrincha, em Brasília. A Andrade Gutierrez teria entregado uma planilha detalhada com os valores de propina de cada obra à Folha.

A propina investida em doações legais também teria sido utilizada em campanhas do PT e do PMDB, em 2010, 2012 e 2014, confirmou o telejornal Bom Dia Brasil ao conversar com os delatores. A delação ainda não foi homologada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), mas espera-se que a homologação saia até sábado (9).

Flávio Caetano, coordenador jurídico da campanha de Dilma Rousseff, negou que a campanha tenha praticado qualquer irregularidade, e que nunca foram estabelecidos valores fixos de pagamentos. Caetano também afirmou em nota que os valores doados pela Andrade Gutierrez são menores do que "a quantia doada ao adversário".

"Em nenhum momento, nos diálogos mantidos com o tesoureiro da campanha sobre doações eleitorais, o representante da Andrade Gutierrez mencionou obras ou contratos da referida empresa com o governo federal", escreveu o coordenador jurídico da campanha.

Já a assessoria do PMDB informou que toda sua campanha está regular conforme o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), e que não recebeu nenhum tipo de doação ilegal. Os atuais dirigentes da Andrade Gutierrez disseram que não irão comentar o caso.

Cassação da Chapa no TSE – Se confirmadas as informações da delação, os depoimentos servirão como embasamento para o processo de cassação da chapa eleitoral de Dilma Rousseff (PT) para presidência e do vice Michel Temer (PMDB), processo que corre no TSE e está em fase de produção de provas. As investigações do TSE, pedidas pela oposição, supõe doações ilegais para a campanha do governo Dilma em 2014.

O PSDB acusa a campanha do PT de se beneficiar da máquina do governo e de doações de empreiteiras contradadas pela Petrobrás. O governo rebate que a campanha da oposição recebeu dinheiro das mesmas empreiteiras. Caso haja a cassação, presidente e vice são destituídos do cargo e são convocadas novas eleições.

Jornal Midiamax