Política

PF investiga doação suspeita e Marquinhos se diz alvo de ‘extorsão’

Empresário fez doação de R$ 50 mil em 2014 e foi multado 

Midiamax Publicado em 13/09/2016, às 22h19

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Empresário fez doação de R$ 50 mil em 2014 e foi multado 

A Polícia Federal ouviu na tarde desta terça-feira (13) o depoimento de um empresário que alega ter sido enganado pelo candidato a prefeito Marquinhos Trad e que levou prejuízo de R$ 267 mil por doação feita para campanha de 2014. Já o deputado, relata série de ameaças feitas pelo denunciante, apresentando inquérito policial de extorsão como prova de que a denúncia teria fundamentação política.

O proprietário da empresa 4 Rodas – Som e Acessórios LTDA-ME, Arnaldo Britto Moura Junior, foi acionado para prestar depoimento sobre acusação que fez junto ao Ministério Público Federal de lavagem de dinheiro contra o deputado. Ele alega que em 2014, sua irmã, Sandra Britto de Moura, trabalhava na parte financeira da campanha de Marquinhos para deputado estadual, e que através dela, fez uma doação de R$ 50 mil para o candidato. A reportagem consultou o portal de prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral  e confirmou esta doação. Ela foi feita em cheque e está datada de 22 de agosto de 2014, com registro eleitoral de número 158000700000MS000059

Na denúncia, o empresário diz que a irmã combinou com ele de fazer um depósito neste valor na conta da empresa, para depois repassar para conta do então candidato, mas que isso não daria problema. Só que no ano em questão, a empresa declarou faturamento de R$ 51 mil, o que impossibilitaria esta doação. Diante disso, recebeu multa de R$ 267 mil. Este valor corrigido é o que espera receber de Marquinhos Trad.

O advogado do deputado, Valdir Custódio, explica que dois meses antes dessa denúncia ser levada ao MPF, um boletim de ocorrência pelo crime de coação foi registrado contra o empresário na 3ª Delegacia de Polícia de Campo Grande. O registro confirma que a irmã do empresário trabalhou no comitê e que ela mesma teria agilizado a doação.

Ainda conforme o registro policial, Sandra recebeu todas as orientações de uma contadora do comitê para realizar o procedimento. A doação foi finalizada e o recibo devidamente emitido. Já no ano de 2015, Sandra contatou assessoria do candidato, pedindo ajuda para defesa do irmão em processo de prestação de contas a Justiça, quando foi constatado que o prazo para apresentação de defesa por parte do empresário já havia sido perdido.

Como o valor doado não correspondia com a movimentação da empresa, Alnaldo recebeu a multa de R$ 267 mil da Justiça Eleitoral e passou a cobrar o deputado pelo valor, fazendo inclusive diversas ameaças, que resultou no registro de boletim de ocorrência pelo crime de coação.

O deputado estadual Marquinhos Trad confirmou a doação, alegando que ela respeitou todos os critérios judiciais para ser feita. Também ressaltou as ameaças do empresário, apresentando inclusive, cópia de uma portaria emitida no último dia 29 de julho, assinada pelo delegado Geraldo Marim Barbosa.

No documento, o delegado diz que “os fatos, 'em tese', configuram crime de extorsão, podendo haver outras vítimas, havendo necessidade de seu perfeito esclarecimento com suas circunstâncias”. Diante disso, instaurou na data citada o inquérito policial para investigar o possível crime cometido pelo empresário.

Marquinhos ressaltou ainda que prestou todas as contas à Justiça Eleitoral, e que todas elas foram aprovadas. Sobre o a postura do empresário, disse que espera que ele responda pelo crime de extorsão. “Este rapaz está agindo de má-fé, sendo utilizado pelos meus adversários políticos, pois estou em primeiro lugar nas pesquisas… Ele vai responder por coação”. Sobre a questão do valor doado estar incompatível com seus rendimentos, o deputado ressaltou que não tem responsabilidade sobre isso. "Quem é responsável pela doação é a pessoa", enfatizou. 

Ao sair da Polícia Federal, logo após o depoimento, o empresário não quis falar com a imprensa sobre o caso.

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