Política

Operação bloqueou R$ 43 milhões desviados na gestão de Puccinelli

  Dois aviões de Baird e Amorim e documentos de André

Ludyney Moura Publicado em 10/05/2016, às 14h45

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Dois aviões de Baird e Amorim e documentos de André

A segunda fase da operação Lama Asfáltica, denominada Fazendas de Lama, bloqueou pouco mais de R$ 43 milhões em bens de 24 pessoas, apreendeu dois aviões, um do empreiteiro João Amorim e outro do empresário João Baird, e encontrou na casa dos acusados US$ 10 mil em espécie e um montante em real que ainda está sendo contabilizado pelos agentes da Polícia Federal.

A ação, que envolveu 201 policiais federais, 28 da Controladoria Geral da União e 44 da Receita Federal cumpriu  28 mandados de busca e apreensão e 15 mandados de prisão temporária, bem como 24 mandados de sequestro de bens dos investigados, dentre eles imóveis rurais e urbanos e contas bancárias.

De acordo com o superintende da PF, Ricardo Cubas, do montante de R$ 195 milhões em obras da gestão Puccinelli, na 1ª fase da operação foram identificados desvios de R$ 11 milhões e nesta 2ª fase, mais R$ 33 milhões que teria sido desviados, um total de R$ 44 milhões. Segundo a Polícia, pelo menos 23% de cada empreendimento era desviado pelo grupo, classificado de organização criminosa pela Polícia.

O delegado ainda contou que foram apreendidos livros didáticos durante as buscas, que comprovam que apenas entre os anos de 2012 e 2014, foram desviados R$ 13 milhões de obras da gestão Puccinelli que perfazem um total de R$ 29 milhões, ou seja, 44% do investido foi desviado.

Cubas contou que todo material apreendido na casa do ex-governador ainda vai passar por análise, para apontar o ‘possível’ envolvimento de André no esquema de desvios de recursos públicos.

As prisões de Edson Giroto e sua esposa, Rachel Giroto, e do empresário João Amorim, são temporárias, com prazo máximo de 5 dias, porém o delegado Cubas pontuou que dependendo do resultado do prosseguimento da investigação, a PF pode solicitar a conversão da detenção em prisão preventiva, sem prazo para soltura dos investigados.

Fazendas de Lama

A nova fase da Operação Lama Asfáltica ganhou o nome de Fazendas de Lama porque, segundo a PF e a Receita Federal, os envolvidos lavavam o dinheiro desviados das obras e contratos com o governo, comprando propriedades rurais e gado.

Apenas em Mato Grosso do Sul foram detectados 66 mil hectares em fazendas que teriam sido compradas pelo grupo, nos municípios de Rio Negro, Corumbá, Aquidauana, Anastácio, Jaraguari e Figueirão, além de propriedades em cidades no interior paulista.

Segundo o delegado da Receita Federal, Flávio de Barros Cunha, o grupo usava familiares como laranjas. Eles abriam empresas e faziam a distribuição de lucros. Por exemplo, uma empresa que declarou faturamento de R$ 1,7 milhão em um ano, distribuiu lucros de R$ 1,2 milhão aos sócios.

A declaração do imposto de renda dos envolvidos também serviu para a polícia detectar irregularidades.

“Distribuindo valor desproporcional de lucro. Nenhum tipo de atividade econômica distribui esse lucro a seus sócios”, disse Cunha. Essa era uma das formas usadas pelos acusados de lavar dinheiro desviado de obras de pavimentação, recuperação asfáltica e em serviços gráficos.

As irregularidades, pontuaram os delegados, começavam desde a licitação. Sob comando de André Puccinelli e Edson Giroto, a secretária de obras do Estado incluía clausulas injustificadas nas licitações, impedindo que outras empresas que ganhassem o certame para tocar as obras.

Outros quatro contratos da gestão Puccinelli para manutenção de estradas pavimentadas e não pavimentadas no município de Campo Grande, e dois lotes da pavimentação da MS-140 entre a Capital e Santa Rita do Pardo, também estão no alvo das investigações, com suspeita de fraudes.

Confira a lista dos nomes presos nesta fase da operação Lama Asfáltica:

Edson Giroto, André Luis Cance, João Amorim, Flavio Henrique Garcia, Ana Paula Amorim Dolzan, Ana Lúcia Amorim, Renata Amorim Agnoletto, Rachel Giroto, Wilson Roberto Mariano de Oliveira, Mariane Mariano de Oliveira, Ana Cristina Pereira da Silva, Maria Casanova, Helio Yudi Komiama, Evaldo Furrer Matos e Elza Cristina Araujo. 

Jornal Midiamax

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