Política

Na posse, Dilma exalta ministro Lula e dispara contra ‘vazamento’ de grampos

Presidente quer rigorosa apuração do vazamentos de suas conversas

Ludyney Moura Publicado em 17/03/2016, às 13h53

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Presidente quer rigorosa apuração do vazamentos de suas conversas

Apesar de um início tumultuado, com um princípio de confusão depois que um deputado federal de oposição gritou palavras contra o ato, a cerimônia de posse do ex-presidente Lula no cargo de ministro chefe da Casa Civil, foi marcado pelas palavras de Dilma contra o vazamento dos grampos autorizados pelo juiz Sérgio Moro.

Sob gritos de ‘não vai ter golpe’, uma plateia formada por apoiadores do Governo Federal, prestigiou a posse de Lula, de Eugênio Aragão, no Ministério da Justiça, de Miguel Lopes (PMDB-MG), na Aviação Civil e Jacques Wagner (PT-BA) na chefia de gabinete da Presidência da República, o primeiro a quem Dilma fez deferência durante seu discurso.

“Situação atual me da magnífica chance de trazer pra o governo o maior líder político desse país. Uma pessoa que além de ser líder político é um grande amigo e companheiro de lutas e de conquistas. Seja bem vindo querido companheiro, ministro Lula”, declarou a presidente, única pessoa a discursar durante a breve cerimônia, que aconteceu na manhã desta quinta-feira (17) no Palácio do Planalto.

Dilma destacou a experiência do ex-presidente, não apenas no âmbito político, mas também em sua ‘identidade’ com a população. “Sua presença prova que você tem a grandeza dos estadistas e a humildade dos verdadeiros líderes, não há obstáculos em nossa disposição de trabalhar juntos pelo Brasil”, afirmou.

Com algumas manifestações do público presente ao longo da cerimônia, com gritos contra a Rede Globo, a presidente afirmou que pretende trabalhar ao lado de Lula na promoção do equilíbrio fiscal do país, redução da inflação e retomado do crescimento e geração de empregos.

Caos

A presidente também aproveitou a audiência da cerimônia para criticar o vazamento dos grampos autorizados pelo juiz Sérgio Moro. Ela afirmou que as garantias constitucionais da própria Presidência da República foram violadas.

“Não terão força política para provocar o caos e a convulsão social. A gritaria dos golpistas não vai me tirar do rumo e não vai colocar nosso povo de joelhos.  Combate à corrupção tem sido realizado sem obstáculo por parte do Governo Federal’, destacou.

Na avaliação da petista, não ‘há justiça quando delações são tornadas públicas de forma seletiva para execração de alguns investigados’. Ela explicou o documento citada na gravação divulgada entre ela e Lula, e apresentou o ‘termo de posse’ assinado pelo ex-presidente, que por razões de saúde da ex-primeira dama Marisa Letícia, corria o risco de não viajar a Brasília para a posse.

“Quero a mais absoluta apuração dos fatos acontecidos ontem. Convulsionar a sociedade em cima da inverdades, métodos escusos, violação de princípios constitucionais e de direitos dos cidadãos, abre precedentes gravíssimos, os golpes começam assim”, afirmou Dilma, para quem o que aconteceu na quarta-feira (16) é uma ameaça de ‘degradação da justiça.

Por fim, a presidente cobrou respeito às garantias constitucionais dos cidadãos, e afirmou que o país precisa ‘lutar contra a corrupção’ respeitando os direitos individuais, a Constituição Federal e as instituições democráticas.

Posse

Dilma ainda destacou a posse de Eugênio Aragão, procurador da república há quase 30 anos, a quem cobrou atuação especial na Olimpíadas e Paraolimpíadas do Rio de Janeiro. Ao novo ministro da Aviação Civil, Mauro Lopes, ela disse que caberá a responsabilidade de concessão de quatro aeroportos brasileiros, também com vistas aos eventos esportivos. 

Jornal Midiamax