Política

Moradores do Noroeste denunciam “caos” nos serviços públicos aos vereadores

Denúncias ocorreram durante projeto da Câmara Comunitária 

Midiamax Publicado em 04/05/2016, às 17h39

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Denúncias ocorreram durante projeto da Câmara Comunitária 

“Moro há 26 anos aqui nesta rua. Minha luz é 'gambiarra' porque nunca vieram colocar. Tenho apenas água encanada de forma regular. Eu queria muito ter tudo certinho, juro, mas ninguém nos atende. Nem mesmo a polícia consegue chegar aqui”. Com estas falas, Maria Berenice, de 72 anos, comenta como é morar na rua Martin Sá, Jardim Noroeste, região leste de Campo Grande.

Maria mora próximo à uma enorme cratera que impede até mesmo a passagem de veículos pela rua. O local foi visitado por vereadores nesta quarta-feira (4), durante edição do projeto Câmara Comunitária. Foi a última visita do roteiro e também a última reclamação do dia.

Antes disso, os vereadores acumularam diversas denúncias de irregularidades na região. A primeira delas foi a falta de merendeiras na Escola Municipal Ione Catarina, ponto inicial das visitas. Com uma funcionária de licença e outra em greve, o diretor adjunto Jeferson Rosseto relatou aos parlamentares que alimentação das crianças só acontece com a colaboração da comunidade. No local há comida, mas não quem a faça.

Na saída da escola, nova reclamação. Desta vez, da mãe de um aluno, que trabalha como educadora ao lado, no Ceinf (Centro de Educação Infantil) Maria Dulce (incendiado há uma semana) . Marcia Adriana diz que após o incêndio, os guardas municipais foram retirados da escola, para vigiarem o Ceinf. Sem segurança, diz que teme pela integridade das crianças onde sua filha de 8 anos estuda. Além da filha, a escola abriga cerca de 1417 crianças entre 4 e 16 anos de idade.

Não bastasse, a educadora aproveitou a presença do Jornal Midiamax para relatar outras dificuldades, desta vez, do Ceinf Maria Dulce. Segundo Marcia, o Ceinf só não está em greve porque ela é a única concursada, onde trabalham aproximadamente 30 funcionários contratados via Omep. A educadora teme ainda, que com substituição desses funcionários, conforme sinalizado pela prefeitura, sejam colocadores sem qualificação para estarem dentro de uma sala de aula”.

Marcia Adriana disse ainda que um processo no MPE (Ministério Público Estadual) pede o enquadramento das funções, pois como educadora, a mesma, não tem teria de estar exercendo um papel de assistência, como faz.

Até esta etapa, apenas os vereadores Chiquinho Telles e Vanderley Cabeludo acompanhavam as visitas. Ao sair do Ceinf, Chiquinho comentou que estava visível no rosto das funcionárias o descontentamento com as condições de trabalho. “Uma delas comentou que tem que cozinhar para 165 crianças e que para ajudar, trazem tempero de casa porque falta na cozinha”.

Dali, cumprindo a rota da Câmara Comunitária, os vereadores seguiram para uma praça de esportes inacabada, também localizada no bairro. A obra começou a ser construída ainda na gestão de Nelsinho Trad (PTB) e parou em 2012, já próximo da conclusão. “Um absurdo, desperdício de dinheiro público”, disse o vereador Roberto Durães, que integrou o grupo, juntamente com Edson Shimabukuro.

Vale ressaltar, que no cronograma de hoje, haviam apenas prédios públicos já visitados pelos vereadores na primeira fase do projeto. Seguindo esta ordem, a (UBSF) Unidade Básica de Saúde da Família) Jardim Noroeste foi o próximo destino, onde alguns moradores avisavam da falta de vacina contra gripe A.

Gerente do local, Keila Barreto Araújo, foi quem recebeu os parlamentares. Segundo ela, a unidade recebeu ao todo 1,5 mil doses da vacina e que havia acabado minutos antes. “Já pedimos novas doses e devem chegar ainda nesta tarde” explicou a gerente, ressaltando que a unidade dispões de quatro médicos e quatro dentistas, que atendem mediante marcação prévia.

Na saída, uma enfermeira, que não quis se identificar, abordou o vereador Vanderlei Cabeludo (PMDB) destacando que a unidade sofre pela falta de médicos e de medicamentos. Minutos antes, a aposentada Maria Gilmar de Castro, de 72 anos, já havia relatado dificuldade em adquirir medicamentos na UBSF. “Hoje eu consegui pegar, mas sempre falta algum remédio e sou obrigada a comprar”.

Diante de tantas reclamações, situação mais amena só foi encontrada na última escola visitada pelos vereadores, Rachid Saldanha, também na região leste de Campo Grande. No local, a diretora Aparecida Ivone Santo André garantiu que os alunos possuem farta alimentação e que a segurança municipal está presente 24 horas por dia.

Ainda assim, a educadora ressaltou que há muitos problemas sociais no que tange a comunidade em si, fora do ambiente escolar. “É uma região grande que abriga muitos moradores de fora. Tem gente que veio de Terenos, Dourados e até do Maranhão. Já ouvi até casos de mães que sofriam agressões dos maridos e buscaram refúgio neste bairro. É uma região muito pobre, em que muitas crianças só encontram na escola sua alimentação. Por isso luto pra nunca faltar. Casos de crianças que desmaiam, às segundas-feiras, especialmente, não é incomum. Muitos passam fome”, relatou.

Moradores do Noroeste denunciam “caos” nos serviços públicos aos vereadoresFechando a edição de hoje da Câmara Comunitária, os vereadores foram até a rua Martin Sá, onde novas queixas foram ouvidas. Jose Jorge da Silva, de 43 anos, mora bem em frente cratera que fica próxima à casa de Maria Berenice. Ele ressaltou que também teve problemas para ligar energia elétrica e que depois de muita insistência conseguiu, porém não passam para fazer a leitura, provavelmente por causa do buraco.

Todas as reclamações citadas na matéria também foram anotadas pelos vereadores, que ficaram de elaborar novas indicações para que o executivo tome providências na região. 

Jornal Midiamax