Política

Mesmo sem ‘por a mão no fogo por Cunha’, Marun quer julgamento no STF

Placar em MS está 7x1 por cassação de mandato

Ludyney Moura Publicado em 12/09/2016, às 11h14

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Placar em MS está 7×1 por cassação de mandato

A votação que vai definir o futuro político do presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), está marcado para as 18h (horário de MS), na defesa do correligionário carioca, o sul-mato-grossense Carlos Marun (PMDB) quer julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal).

“Estou convencido de que isso (julgamento no Supremo) é o mais correto, diante do que está no processo”, disse a pouco Marun ao Jornal Midiamax, que está em deslocamento para Brasília para participar da votação.

O peemedebista também teve um texto publicado no Jornal Folha de São Paulo, nesta segunda-feira (12), no qual afirma que não conhece Cunha ‘a tempo suficiente para botar a mão no fogo por ele, e por isso não a ponho. Todavia, muitas outras coisas sei’, escreve Marun.

Entre as ‘coisas’ citadas pelo deputado de MS, estão o fato de que, segundo Marun, o fato da denúncia que embasa a cassação, feita pelo Ministério Público, ainda não foi julgada pela Justiça, e ainda de que não existe na representação contra Cunha o número de sua suposta conta bancária no exterior.

Marun reconhece que sua defesa de Cunha é uma ‘posição impopular’, porém volta a frisar que sem a ‘liderança’ do carioca na presidência da Câmara dificilmente a cassação de Dilma Rousseff (PT) teria sido concretizada.

Na última semana, os demais parlamentares da bancada, à exceção de Dagoberto Nogueira (PDT), haviam revelado ao Jornal Midiamax sua intenção de votar pela cassação do peemedebista. Todavia, o pedetista publicou em sua conta no Facebook um imagem com os dizeres ‘#foracunha’, o que deixa Marun como o único voto favorável a Eduardo Cunha na bancada sul-mato-grossense.

Votação

Os deputados federais vão analisar em plenário o parecer aprovado no Conselho de Ética da Câmara, que concluiu que Cunha mentiu em depoimento espontâneo à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras, em maio de 2015, quando disse não possuir contas no exterior.

Cunha nega que tenha mentido à CPI, argumentando que as contas estão no nome de um trust familiar contratado por ele para administrar seus recursos no exterior. Ele está afastado das funções de deputado federal desde maio deste ano e esteve afastado também da presidência da Casa até 7 de julho, quando renunciou ao cargo.

Rito

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), confirmou que a votação desta segunda-feira seguirá o rito de pleitos anteriores que resultaram na perda de mandato parlamentar. O democrata frisou que tentativas de ‘fatiar’ a votação dependerá de adesão maciça de parlamentares.

Para ser cassado, Cunha precisa ‘perder’ o apoio de 257 deputados, sendo que a votação precisa de um quorum mínimo de 420 parlamentares. na fase de discussão, o primeiro a falar será o relator do parecer, por 25 minutos. Em seguida, os advogados de Cunha terão outros 25 minutos para usar a palavra, e o próprio deputado afastado poderá usar mais 25 minutos para se defender pessoalmente.

Deputados inscritos no início da sessão poderão falar, então, por cinco minutos cada um. Depois que mais de quatro se manifestarem, o Plenário pode decidir pelo encerramento da discussão. A votação será realizada a seguir de forma nominal e aberta, pelo painel eletrônico.

Jornal Midiamax