Política

Justiça Eleitoral manda excluir PT de coligação em MS que inclui DEM

Vice em aliança do PR integra o DEM, partido censurado pelo PT nacional

Celso Bejarano Publicado em 14/09/2016, às 13h10

None
jpeg_gloria.jpg

Vice em aliança do PR integra o DEM, partido censurado pelo PT nacional

O juiz eleitoral Bonifácio Hugo Rausch mandou excluir o PT da coligação “A esperança do povo”, capitaneada por Delma Ponciano Ferrari, a Delma Enfermeira, candidata do PR à prefeitura de Glória de Dourados.

A decisão foi motivada por pedido do próprio PT, só que pela direção nacional do partido. O diretório municipal da legenda é quem insiste na aliança com a candidata apoiada pelo ex-deputado Londres Machado, o presidente estadual do PR. O PT de Glória prometeu recorrer da decisão.

Por decisão do PT nacional, os diretórios do Partido dos Trabalhadores não podem, em hipótese alguma, pactuar coligação com o PPS, PSDB e DEM. Isso porque essas siglas votaram pelo impeachment da ex-presidente Dilma.
Em Glória, o PR da candidata Delma coligou-se com PHS, PRB, PSL, PTB, PSB e DEM,

“O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores – PT comunicou a anulação da Convenção Municipal do PT de Glória de Dourados, MS, e os atos dela decorrentes, em relação à candidatura de Marcos Acácio de Souza como candidato a vice-prefeito, mas mantidos os registros de candidaturas proporcionais, se já efetuados”, diz trecho da decisão do juiz Rausch.

Na convenção municipal, o PT concordou em participar da aliança entre o PR, que lançou Delma como prefeita e Marcos Acácio, como vice. Ocorre que Marcos Acácio é do DEM, justo o partido censurado pela executiva nacional dos petistas.

Pela decisão, o PT em Glória está liberado a compor chapa com a coligação comandada pelo PR, desde que as candidaturas sejam proporcionais, ou seja, é possível a aliança na disputa por vaga de vereadores.

Valmir Dias dos Santos, chefe da executiva do PT, em Glória de Dourados, contestou e disse que vai continuar rejeitando a decisão que impede se partido de se juntar a candidatura de Delma, mesmo tendo como vice na chapa o candidato do DEM, Marcos Acácio

REALIDADE DIFERENTE

“Brigas internas existem no PT, isso na esfera nacional, estadual e municipal. Sei que o partido impede coligações com o DEM, PPS e PSDB. Ocorre que aqui, no regional, a história é outra. Aqui não existe só prego apontando para cima. O PT daqui decidiu apoiar a coligação ‘A esperança do povo’. Regra é regra, sabemos disso, mas isso não fere a nacional [executiva do PT]”, afirmou Valmir Dias, que promete insistir no recurso pela aliança com Delma Enfermeira.

Norberto Aparecido Ferrari, representando na causa a coligação “A Esperança do Povo”,  requereu que sejam “revistos os critérios usados para anular referida convenção municipal, declarando que não ocorreu violação das normas partidárias, porque o PT não está compondo a chapa majoritária”. O petista Valmir Dias, sustentou que o PT, que tem quatro candidatos a vereadores, está, sim, apoiando a Delma Enfermeira.

O Ministério Público Eleitoral também votou pela exclusão do PT da aliança comandada pelo PR.

A decisão mexe, daqui em diante, na divulgação da propaganda eleitoral, em Glória de Dourados. “O tempo de rádio e ou televisão deve sofrer novo rateio, que deverá ser feito em um dia a partir da publicação desta decisão. De fato, não participando mais o PT da Coligação, não pode mais contribuir com seu tempo de propaganda”, sustenta o juiz, cuja decisão foi publicada ontem no Diário Oficial de TRE-MS.

DOAÇÕES 

Três candidatos disputam a prefeitura de Glória de Dourados: além de Delma Enfermeira, querem ser prefeito da cidade Aristeu Pereira Nantes, do PEN e Marcos Gomes Vilani, do PP. Até agora, Delma foi quem mais arrecadou recursos para a campanha. O ex-deputado estadual Londres Machado doou a coligação dela R$ 40 mil dos 47 mil recebidos. Aristeu arrecadou R$ 5,6 mil, R$ 5 mil dos quais tirou do próprio bolso. E o candidato Marcos Gomes, já juntou R$ 3 mil, sendo que R$ 2,6 mil foram doados por ele mesmo.

Os candidatos à prefeitura da cidade podem declarar gastos de até R$ 108 mil durante a campanha.

Jornal Midiamax