Política

​Governo apela para ‘chamada oral’ na caça aos fantasmas e servidores não gostam

Servidores reclamam de abordagem e cobram cartão de ponto

Ludyney Moura Publicado em 02/09/2016, às 14h30

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Servidores reclamam de abordagem e cobram cartão de ponto

O governo de Mato Grosso do Sul está fazendo devassa na folha de pagamento, estimada em R$ 400 milhões mensais, e apelou até para 'chamada oral' em alguns órgãos. A caçada aos fantasmas, no entanto, não agradou todo mundo. Servidores dizem que se sentiram constrangidos com as abordagens.

Para a auditoria, a SAD (Secretaria de Estado de Administração e Desburocratizaçãocontratou uma empresa especializada no assunto que tem realizado as 'blitze' nas repartições estaduais. “Implantamos um programa de gestão da qualidade da folha de pagamento e uma das questões foi analisar se há conformidade nos pagamentos, se são feitos em relação à legislação vigente, e nunca foi feita uma auditoria na folha, principal despesa do governo”, explicou o atual titular, Édio Viegas.

A empresa, Delloite Touche Tohmatsu, contratada no último mês de julho por R$ 1,5 milhão, tem autorização da administração de Reinaldo Azambuja (PSDB) para realizar inspeção física, com verificação da presença de determinados servidores no local de trabalho, escolhidos de forma aleatória por representantes da consultoria.

“Se há duvida da presença do servidor é preciso reunir provas e não fazer assédio moral dessa forma. E se a pessoa não estiver na sala no momento? Por estar no banheiro, por exemplo. Se o governo está questionando assiduidade do servidor porque não compra cartão de ponto?”, questionou um servidor estadual, que preferiu não se identificar por temer retaliação. Outros dois sentiram-se 'coagidos' por serem obrigados a informar o número do CPF a 'desconhecidos'. 

Um ofício foi encaminhado a todas as secretarias estaduais solicitando autorização ‘para inspeção em quaisquer unidades gestoras’, comunicando que representantes da ‘Empresa Delloite Touche Tohmatsu se apresentarão munidos de encaminhamento oficial e identificação para realização do referido trabalho’.

“A empresa contratada segue padrões internacionais para verificar a conformidade dos pagamentos. E um dos itens é a verificação in loco, por amostragem, da presença do servidor (em seu local de trabalho”, justifica Viegas.

Segundo o secretário, o governo quer analisar os registros dos mais de 70 mil servidores para verificar quaisquer possibilidades de existência de duplicidade de pagamento, de funcionários com cargos e/ou salários incompatíveis com a legislação, e até existência dos chamados ‘servidores fantasmas’.

 Édio Viegas pontua ainda que o governo não recebeu nenhuma reclamação oficial de servidores que se sentiram assediados, e que uma prerrogativa de qualquer organização verificar a assiduidade do funcionário. A gestão tucana também está em curso com um projeto de instalação de registro eletrônico de ponto nas secretarias.

“O governo está preocupado com quem cumpre sua obrigação”, afirma o titular da SAD.  Um dos objetivos da auditoria, que deve terminar em abril de 2017, é diminuir despesas que podem resultar, inclusive, no enxugamento da folha, o que já aconteceu, segundo o secretário, em outros Estados que auditaram suas contas.

Jornal Midiamax