Política

Empresa de denunciado na Coffee Break mudou há 3 anos de imóvel alugado por Rose

Na Junta Comercial, no entanto, endereço não foi alterado

Éser Cáceres Publicado em 21/09/2016, às 18h22

None
rose_4.jpg

Na Junta Comercial, no entanto, endereço não foi alterado

O imóvel na Rua da Glória alugado pela candidata do PSDB à Prefeitura de Campo Grande, Rose Modesto, para atividades da campanha eleitoral, ainda consta nos registros da Junta Comercial de Mato Grosso do Sul como sede da empresa Master MS Arabian Participações e Empreendimentos LTDA, que tem como sócio Fábio Pertela Machinski. No entanto, conforme informado pela assessoria jurídica da candidatura, o local não é mais ocupado pela empresa.

De acordo com o proprietário do imóvel, ele chegou a ter um contrato de locação com duração de 16 anos com a empresa de Machinski, mas há aproximadamente três anos ele deixou o endereço, embora não tenha atualizado os dados cadastrais da empresa junto ao Governo de MS.

​Fábio chegou a ser nomeado na gestão de Gilmar Olarte após a cassação de Alcides Bernal (PP), e foi denunciado pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) na Operação Coffee Break. No entanto, não tem qualquer vínculo com o atual contrato de locação firmado por Rose Modesto no mesmo endereço.

“O imóvel foi comprado em um leilão muito tempo atrás e foi alugado para o Fábio, que é sócio da franquia Habib’s aqui em Campo Grande, em um contrato de 16 anos. Mas antes mesmo ele terminou o contrato e quem assumiu foi a própria franqueada, o Habib’s. Mas esse contrato também terminou há cerca de três anos”, confirmou o proprietário do imóvel, localizado pela reportagem.

Atualmente o endereço abriga uma fábrica de pães e o comitê de Rose Modesto. “O preço que falo pra ela (Rose) é o mesmo do Portela, inclusive”, diz o dono. Segundo ele, o custo é de R$ 20 mil por todo o período da campanha.

O endereço ganhou notoriedade depois que foi registrada uma denúncia de um servidor público de suposta coação a funcionários públicos comissionados em reunião realizada no local no último dia 30 de agosto. O caso é investigado pelo Ministério Público.

Rose Modesto, questionada pela reportagem sobre a coincidência do endereço com o local onde ainda está registrada uma empresa de Fábio Portela, denunciado na Operação Coffee Break ao TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), limitou-se a informar pela assessoria que 'os fatos não tinham fundamento'.

Na ocasião, em contatos todos documentados, a informação oficial da candidatura de Modesto foi de que "os esclarecimentos solicitados pelo Ministério Público Eleitoral serão prestados pelo departamento jurídico da Campanha, sendo infundada a denúncia objeto do questionamento".

A assessoria da candidata também informou que havia alugado o imóvel e negou que ele tivesse sido cedido, conforme publicado na notícia. Rose não se manifestou sobre o fato de constar o registro da empresa de um denunciado na Coffee Break no mesmo endereço.

No entanto, após a publicação da notícia, a candidata impetrou na Justiça um pedido de direito de resposta ao Jornal Midiamax em que repassou fatos que poderiam ter sido informados pela assessoria já no momento em que foi questionada pela reportagem antes da publicação inicial mas, deliberadamente, não o fez. O pedido liminar de Rose para retirar a notícia do ar foi negado.

Independentemente da decisão judicial, o Midiamax voltou ao caso para confirmar as informações às quais a reportagem teve acesso por meio de representação eleitoral da candidata Rose Modesto e que NÃO CONSTAVAM das respostas oficiais oferecidas anteriormente pela assessoria de imprensa, conforme contatos  devidamente documentados entre o Jornal Midiamax e a equipe de Rose Modesto.

O Midiamax publica o que foi apurado e reforça seu compromisso com a qualidade e credibilidade jornalística. O Jornal reitera ainda que TODAS as informações previamente prestadas pela assessoria foram devidamente inseridas na notícia desde a publicação inicial.

Jornal Midiamax