Política

Com exceção de bancada petista, Assembleia é contra nomeação de Lula

Deputados disseram acreditar que nomeação é para blindar Lula 

Midiamax Publicado em 17/03/2016, às 16h50

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Deputados disseram acreditar que nomeação é para blindar Lula 

Os deputados estaduais de Mato Grosso do Sul, com exceção da bancada petista, são contra a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Casa Civil da Presidência da República. Questionado sobre o que pensam da nomeação, as respostas foram praticamente unânimes e disseram acreditar que o ato da presidente Dilma (PT) seja uma forma de blindar Lula contra as investigações do juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato.

O líder do governo na Casa, Rinaldo Modesto (PSDB), diz que as manifestações que repercutiram ontem no Brasil é a prova inequívoca de que a indicação do ex-presidente Lula, para a Casa Civil, demonstra o sentimento da população de que houve uma manobra para impedir que ele seja investigado por Moro. “Sendo ministro, tendo foro privilegiado pelo STF eles (acreditam que) resolveria o problema. O STF tem a função de ser o guardião da Constituição, estão mais que preparados para avaliar toda a questão jurídica. Vejo com muito tristeza essa manobra. Com tudo que aconteceu não o vejo com a credibilidade de organizar e dar a confiabilidade que o governo federal e a presidente Dilma espera do Congresso Nacional”, critica.

Já Marquinhos Trad (PSD) diz analisar a nomeação de duas formas, politicamente e juridicamente. “Analiso de maneira jurídica e política. Jurídica: até que ponto a nomeação do Lula é um ato discricionário da presidente Dilma. Sendo um ato revestido do conceito jurídico, toda nomeação deve obedecer o principio constitucional administrativo da transparência, da legalidade, oralidade e da publicidade. A maneira como ela foi feita, na minha opinião fere os termos constitucionais jurídicos. E a questão politica cabe a presidente, foi um ato pessoal dela. Ela tem a caneta e decidiu. É uma última cartada que fere até a constituição”, avalia.

Lídio Lopes (PEN) diz acreditar que a medida foi um equívoco. “Nunca houve na história do pais um ex-presidente vir a ser ministro. Principalmente um ministro de articulação na situação que o país se encontra. Prova que realmente vem para tentar segurar a Câmara Federal e o Senado contra o impeachment. Porém, a gente nunca sabe como o PT pensa, prova disso é que tivemos um ex-governador disputando a vereança em Campo Grande”, pondera.

Para o deputado Barbosinha (PSB)  a situação do país é desfavorável. “Acho deprimente que os poderes da república, em seu grau máximo esteja envolvido em uma situação de extrema complexidade. Não teria problema nenhum que o ex-presidente Lula estivesse assumindo o ministério em situação de normalidade. Mas como está sendo investigado, já recomendaria o bom senso de não ser nomeado para nenhum cargo público. Mas nas circunstâncias que se encontra, com gravações altamente comprometedora. A presidência já estava em uma situação difícil e ai leva para o governo todos os problemas da Lava Jato”, critica.

Do PDT, George Takimoto, também é contra a nomeação. “Acho que atrás dessa nomeação existe muita coisa obscura. È uma forma de fugir das acusações que estão sendo feitas contra ele na Justiça Federal do Paraná”, afirma.

Já o tucano Maurício Picarelli diz não concordar, assim como toda a sociedade. “Acho que a presidente Dilma não poderia nomeá-lo em uma situação como esta que estamos vivendo no país. A sociedade não concorda. Ela poderia ter nomeado quando entrou, hoje não é viável”, diz.

Do PR, Paulo Corrêa, diz acreditar que a nomeação foi simplesmente para fugir das investigações. “Acho que foi puro e simplesmente para fugir do foro do Sérgio Moro. Aceitou ser ministro para ter foro privilegiado. E claro que Sérgio Moro vazou a conversa com Dilma como estratégia de defesa dele.”, explica.

Favorável

Para João Grandão não há nada que impeça as investigações. “Supremo pode investigar inclusive com mais rapidez. Isso é uma disputa de classe. Vai para o ministério para usar da experiência que tem, para usar da prerrogativa de quem foi presidente da república e promoveu a inclusão deste país e em áreas que nunca tinham sido incluídas. É para garantir o desenvolvimento. A direita perdeu a eleição e quer mudar de prerrogativas antidemocráticas”, critica.

Pedro Kemp elogiou a decisão de Dilma, pelo fato do ex-presidente ser um 'grande' articulador politico. “É uma liderança. É uma pessoa que tem experiência administrativa, por ter sido presidente por 8 anos. A ida dela para o governo, fortalece o governo da presidente Dilma. Pode contribuir fazendo articulação da base de sustentação no Congresso Nacional, ajuda inclusive a minimizar esse clima de crise política”, afirma

Cabo Almi lembra que o ex-presidente Lula sempre se colocou a disposição da Justiça e o fato de ele passar para o foro privilegiado não significa que o Supremo não possa continuar investigando ele. “Assim como nós tínhamos o senador Delcídio, que tinha foro privilegiado e foi preso. Isso não justifica. A ida dele é para garantir os direito democráticos desse país. Ele foi presidente por 8 anos e esperamos que na Casa Civil ela possa fazer as mudanças necessárias no Banco Central, no Ministério da Fazenda e implementar políticas que possam garantir a Dilma governando, a democracia. Todos sabemos que a disputa foi apertada”, afirma.

Jornal Midiamax