Política

‘Alcides Infernal’: vereadores disparam contra prefeito e pedem novo afastamento

Uniformes viraram motivo de novo pedido

Evelin Cáceres Publicado em 28/06/2016, às 15h52

Roberto Santos Durães, ex-vereador de Campo Grande (Foto: Divulgação/Arquivo)
Roberto Santos Durães, ex-vereador de Campo Grande (Foto: Divulgação/Arquivo) - Roberto Santos Durães, ex-vereador de Campo Grande (Foto: Divulgação/Arquivo)

Uniformes viraram motivo de novo pedido

As denúncias de má qualidade dos uniformes escolares entregues aos alunos da Reme (Rede Municipal de Edicação) se tornaram motivo para um novo pedido de afastamento do prefeito Alcides Bernal da Prefeitura de Campo Grande nesta terça-feira (28) na Câmara.

Em tom duro, chamado de “Alcides Infernal” pelo vereador Roberto Durães (PSC), os parlamentares pediram para que a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) analisasse um novo afastamento do prefeito do cargo.

Paulo Siufi (PMDB) usou a palavra livre para defender o afastamento. “Até a Dilma está afastada. Temos que ter um afastamento preventivo do Bernal, isso é feito em outras Casas pelo Brasil”.

Presidente da CCJ, Airton Saraiva (DEM) afirmou que pediria ainda nesta manhã a análise do pedido aos assessores da Comissão. “É importante que afaste, tem essa questão dos uniformes, a questão das vacinas. O Bernal é burro. Burro é aquele que persiste no erro. Dizem que ele é de Corumbá, mas ele deve ser da Bolívia ou do Paraguai. Ele presidiu a Colônia Paraguaia e ouvi dizer que até lá ele deu calote”, disparou Siufi.

Para Durães, a questão dos uniformes é “mais uma barbárie desse Alcides Infernal”. “Sugiro que as pessoas que estão perdendo emprego vão à Prefeitura pedir uma vaga, porque esse tipo de licitação tira o emprego das pessoas daqui da cidade”.

Saraiva comentou que esse tipo de qualificação desqualifica as empresas brasileiras. “A Câmara tinha razão quando o afastou da primeira vez. Precisamos verificar se essas etiquetas foram trocadas. Vamos pedir esclarecimento sobre a origem do produto e o valor”.

Carla Stephanini (PMDB) afirmou que “a história se repete”. “São tantos os acontecimentos que eu entendo o silêncio sepulcral da base aliada dele na Câmara. O que ele fez é indefensável, ninguém quer colocar seu nome para fazer a defesa dele”.

O vereador Marcos Alex (PT) sugeriu que os vereadores montassem comissão para irem ao Paraguai verificar onde foram feitos os uniformes. Siufi discordou. “Com a crise, é impossível fazer isso”.

Base de Bernal na Câmara, Luiza Ribeiro (PPS) defendeu a possibilidade. “É uma questão administrativa e é preciso ter zelo com a coisa pública, então poderíamos sim ir, mas em último caso. Temos que consultar a Prefeitura para saber o que aconteceu”.

A parlamentar afirmou que tudo na Câmara se tornava motivo para cassar Alcides Bernal. “Nosso papel como Legislativo é muito maior que este. Concordo que tem que ser feito fomento a economia local, mas precisamos saber se o processo de licitação abrai brechas para a importação, se há legalidade nisso”.

Siufi concluiu falando que Bernal estaria cometendo crime de descaminho e contrabando. “É um caso para o Ministério Público Federal, Polícia Federal”.

Uniformes do Paraguai

Os uniformes escolares foram distribuídos com etiquetas informando que teriam sido feitos no Paraguai. Porém, a empresa que ganhou o processo licitatório, a Nilcatex Têxtil, atua em Mato Grosso do Sul e Santa Catarina.

A empresa teria mandado confeccionar os uniformes no Paraguai, mas não informou por quais motivos, se mantém suas linhas de produção no Brasil.

A mesma reclamação foi feita em fevereiro deste ano em Canoas, no Rio Grande do Sul, onde alunos receberam os uniformes fornecidos pela mesma empresa com etiquetas paraguaias.

Jornal Midiamax