Política

Parlamentares usam brigas políticas para justificar letargia no mandato

Guerra política virou desculpa para blindar desinteresse por investigações

Midiamax Publicado em 02/04/2015, às 10h42

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Guerra política virou desculpa para blindar desinteresse por investigações

O endereço não é o mesmo, mas as novelas apresentam capítulos semelhantes na Assembleia Legislativas e Câmara de Campo Grande, de olho nas eleições municipais de 2016. Com troca de acusações, deputados e vereadores esquecem o dever de fiscalizar e alegam uso político de denúncias para justificar desinteresse em casos apontados como graves lesões a cofres públicos.

Na Câmara, três CPIs não saíram do papel – da ‘folia’, sobre possíveis desvio de verba na Fundac (Fundação Municipal de Cultura), do ‘buraco’, com base em denúncias de irregularidades em operações tapa-buracos, e do ‘jatinho’, sobre viagem do prefeito a bordo de aeronave de luxo de empresário que mantém contratos milionários com a Prefeitura. Na Assembleia, a que está decolando provoca guerra entre os deputados.

Nas duas casas, os parlamentares usam um discurso que virou moda para justificar a falta de vontade de investigar: “não vamos alimentar denúncias eleitoreiras”, dizem ao justificar cautela nas investigações.

O vereador Flávio César (PTdoB), por exemplo, votou contra um requerimento da oposição que solicitava informações sobre a viagem de Gilmar Olarte (PP) em jatinho de empresário. Mas, alega  ter responsabilidade com o mandato dele.

“Não posso permitir que seja instrumento politiqueiro para ser usado ou manipulado. Não vi a necessidade de fazer estardalhaço”, disse o vereador, justificando que o prefeito não pegou o avião para passear.

O vereador Carlão (PSB) também adotou discurso parecido, ainda que admita que o caso possa ser grave. Ele chegou a usar desculpa dada por Olarte para mudar de assunto: “o prefeito disse para não retroagir e pensar para frente, talvez ele até responda criminalmente, mas não vou aprovar requerimento para fazer barulho”, declarou.

Na Assembleia, até o governador, Reinaldo Azambuja (PSDB), pediu calma. Ele chegou a orientar a base de sustentação dele na casa a não extrapolar durante as investigações da CPI aberta para investigar a Enersul, onde um rombo teria chegado à casa dos R$ 700 milhões.

A situação na Assembleia é complicada a ponto de o autor do pedido de CPI, Marquinhos Trad (PMDB), correr grande risco de ficar fora da presidência e da relatoria, duas posições estratégicas. A expectativa é de que Paulo Corrêa (PR) fique com a presidência e Beto Pereira (PDT) com a relatoria.

Segundo Marquinhos, deputados disseram para ele que o presidente e relator foram escolhidos em reunião com o chefe tucano, antes mesmo de os nomes serem oficializados. Em entrevistas, o peemedebista, pré-candidato à Prefeitura da Capital, diz que vai brigar pelo comando da CPI, mas admite ter poucas chances de êxito.

Na última sessão da semana, na quarta-feira (1º), Beto Pereira chegou a dizer que não tem provas das irregularidades, visto que Marquinhos nunca apresentou documento – relatório de auditoria feita pela PWC (Pricewaterhouse Coopers). O deputado rebateu o colega, perguntando por que então ele não pediu a documentação quando assinou o requerimento da CPI e, em seguida, apresentou o a papelada solicitada.

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