Política

Empresária se contradiz em depoimento sobre esquema dos cheques em branco

Ação tem como réu Gilmar Olarte

Jessica Benitez Publicado em 27/11/2015, às 19h39

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Ação tem como réu Gilmar Olarte

A empresária Anny Cristina Nascimento foi a primeira testemunha de acusação ser ouvida na tarde desta sexta-feira (27) em audiência de instrução no processo de corrupção passiva ao qual o vice-prefeito de Campo Grande afastado Gilmar Olarte é réu. Ela já havia prestado depoimento em abril de 2014, mas agora mudou a versão dos fatos relatados.

Além de amiga da ex-secretária do pastor Marly Débora, Anny conhece Ronan Feitosa, ex-assessor de Olarte, há 18 anos e se envolveu na trama dos 'cheques em branco' quando percebeu que a colega estava depressiva e começou a questioná-la sobre o motivo da tristeza. “Porque somos quase irmãs”, definiu.

Após insistir muito, Marly acabou contando que emprestou folhas de cheque do filho, Fabrício, que foram compensadas deixando-a negativada, sem dinheiro até para se alimentar e sendo ameaçada por agiotas. “Fui atrás do Ronan e ele confirmou a história e garantiu que tudo seria solucionado”, relatou ao juiz Luiz Claudio Bonassini.

Ela então orientou a amiga a procurar delegacia para registro de Boletim de Ocorrência, conselho acatado, porém sem surtir efeito.

Anny, que foi candidata a vereadora em 2008 e 2012, além de fazer campanha para Edson Giroto no último pleito municipal e migrar para o lado de Alcides Bernal (PP) no segundo turno, trabalhou na Prefeitura de Campo Grande de dezembro de 2013 até março de 2014 quando houve a cassação.

Depois disso, foi para o gabinete do então vereador Alceu Bueno (sem partido) no qual permaneceu até outubro do mesmo ano. Questionada sobre a função que desempenhava no Executivo, ela não soube especificar o cargo, apenas disse que lidava diretamente com Bernal e atuava na área social.

O promotor do Gaeco (Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado) Marcos Alex Vera perguntou se a depoente considerava que o ex-assessor de Olarte estava tentando 'levantar dinheiro', mas não houve resposta e assim começaram os desencontros do depoimento de 2014 para o colhido hoje.

Inicialmente a empresária havia declarado que saiu da campanha de 2012 com dívida de R$ 65 mil, débito pago por Bernal em troca de apoio. A nomeação também fazia parte da tratativa. Hoje ela negou que o radialista tenho pago algo, apenas confirmou ter sido nomeada. Marcos Alex a alertou de que havia contradição, porém a afirmação foi sustentada.

Nos áudios captados na investigação Anny aparece conversando com Marly sobre valores ofertados aos vereadores para cassação do chefe do Executivo, elas falavam em R$ 1 milhão para cada um. “Era brincadeira nossa. Estávamos só falando”. Por fim, ela contou que Ronan sempre dizia do conhecimento de Olarte sobre os fatos, mas assegura nunca ter vista nada. “Sabia que eles eram colegas de igreja”.

Caso– No total, 28 pessoas são esperadas para depoimentos nas oitivas contra Gilmar Olarte, Ronan Feitosa e Luiz Márcio Feliciano. Juntos, eles respondem pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A vice-governadora Rose Modesto (PSDB) estava na lista, mas conseguiu adiar o depoimento dela para 22 de janeiro de 2016.

Esta também será a data do depoimento de quem não comparecer hoje. Segundo Ministério Público Estadual, o trio deve responder por lavagem de dinheiro e corrupção passiva por ter trocado cheque em branco por promessas de cargo e outras vantagens na Prefeitura de Campo Grande.

Jornal Midiamax