Política

CPI da Enersul/Energisa define visita a Brasília e aponta desvio de R$ 1 bilhão

Proponente da CPI revelou que rombo na concessionária pode ser maior

Ludyney Moura Publicado em 14/04/2015, às 22h04

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Proponente da CPI revelou que rombo na concessionária pode ser maior

A primeira reunião de trabalho da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que vai investigar o suposto desvio na Enersul, com anuência da Energisa e do Grupo Rede (antigo gestor da empresa), definiu no fim tarde desta terça-feira (14) os ofícios a serem encaminhados a diversos órgãos que podem elucidar as investigações.

“Apresentar os requerimentos para que possamos acessar documentos. Em primeiro lugar queremos saber dos relatórios, da auditoria que foi feita pela PwC (Price Waterhouse Coopers) à pedido da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Pelas noticias que temos ele tem mais de seis mil paginas”, apontou o presidente da CPI, deputado Paulo Corrêa.

Os deputados querem ainda o relatório da Agência sobre o período em que a Enersul esteve sob intervenção federal, feito pela CVM (Câmara de Valores Mobiliários), e também solicitaram às Juntas Comerciais de Mato Grosso do Sul e São Paulo, cópias dos contratos sociais de empresas que teriam recebido valores indevidos da concessionária de energia elétrica.

“Nós apuramos mais de 30 requerimentos de documentação, 20 de autoria da relatoria, e que serão a base da construção de todo o trabalho da CPI. Documentos da Justiça, do Ministério Público, da Polícia Federal e de processos que tramitam  contra o grupo Enersul/Energisa e empresas correlatas”, afirmou o relator da comissão, deputado Beto Pereira (PDT).

O pedetista explica que a CPI tem poder de polícia e que se necessário for, os deputados poderão solicitar mandados de busca e apreensão para ter acesso à documentação solicitada.

Na quinta-feira (16), após a sessão, os membros da comissão vão se reunir para assinar todos os ofícios com requerimentos de informações deliberados nesta terça-feira. E na próxima quarta-feira (22), às 12 horas, irão a Brasília para um encontro com a bancada federal.

“Vamos pedir todos os relatórios oficialmente, porque é uma concessão federal, e precisamos mostrar que a CPI tem força na defesa do consumidor do Estado de Mato Grosso do Sul. Acreditamos ser de suma importância a ajuda da bancada federal”, explicou Paulo Corrêa.

Rombo maior

O deputado Marquinhos Trad (PMDB), que propôs a abertura da comissão, revelou que os números referentes aos desvios na concessionária de energia elétrica podem chegar a R$ 1 bilhão, entre os anos de 2010 a 2015.

“De uma coisa pode ter certeza, lesão houve. A CPI tem de ter sucesso na forma de devolver esse dinheiro para o consumidor de Mato Grosso do Sul. Foram quase R$ 700 milhões (de desvio) que ao término pode chegar a R$ 1 bilhão, e a necessidade de ficar claro e inquestionável a participação da Energisa. Sabia sim, porque acompanhou desde 2013 os desmandos e má gerência administrativa do Grupo Rede”, apontou.

O peemedebista defende a redução do percentual de aumento nas contas de energia elétrica, nos anos subsequentes à realização da CPI, ou o congelamento da tarifas até a consolidação do valor desviados dos cofres

“A Energisa não causou a ruptura do ciclo vicioso que o Grupo Rede vinha fazendo. Agora, ela começa a querer se posicionar pelos atos da antiga gestora. Ora, se ela adquiriu uma concessionária de natureza pública delgada, assume sim o ônus e o bônus”, finalizou Marquinhos. 

Jornal Midiamax