Política

Bancada quer encontro com ministro para resolver questão indígena

Fazendas permanecem ocupadas em MS

Jessica Benitez Publicado em 29/06/2015, às 19h07

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Fazendas permanecem ocupadas em MS

Segundo o deputado estadual Zé Teixeira (DEM), o senador Waldemir Moka (PMDB) ficou incumbido de marcar reunião com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, com a bancada federal sul-mato-grossense para discutir sobre o conflito entre produtores rurais e índios em Mato Grosso do Sul. Um encontro foi realizado hoje pela manhã na Assomasul (Associação dos Municípios de Mato Grosso do Sul) para tratar do assunto. 

“O Moka vai pedir reunião com o ministro, vamos esperar a data em que ele puder nos atender e vamos mostrar a verdade para ele”, disse o democrata. O parlamentar acredita que os fatos não são repassados claramente ao Governo Federal. “Vem de lá (Brasília) para cá e só passa o lado dos índios”, avaliou.

No entanto, mesmo diante de possível encontro com o ministro, Teixeira acha difícil sair do impasse somente com diálogo com a União. “Isso aí é a Justiça que vai resolver porque o governo não quer pagar nem a metade dos que as terras valem. Isso se arrasta há mais de 40 anos. Já conversei com cinco ministros, com os ex-governadores do Estado e nada resolveu”, acrescentou.

No início do mês o governador do Estado, Reinaldo Azambuja (PSDB), conversou com Cardozo sobre a questão indígena. Na ocasião, o mistro se comprometeu em dar um posicionamento em 30 dias, mas até agora não houve respaldo.

Cansados de esperar negociação, sete ruralistas que tiveram área rural ocupada por índios em Sidrolândia, a 70 quilômetros de Campo Grande, entraram na Justiça Federal em busca de indenização. Eles alegam que as terras não estão mais como quando foram invadidas – retomadas, na terminologia usada pelos indígenas – há dois anos.

À época, a União chegou a montar comissão para analisar e estipular valor das fazendas e, assim, comprá-las dos latifundiários, mas até hoje a negociação está travada. Agora, eles almejam reaver o montante que investiram, somado a juros de 1% ao mês desde que a ocupação ocorreu.

Segundo a Funai (Fundação Nacional do Índio), Mato Grosso do Sul tem a segunda maior população indígena do País, somando mais de 70 mil pessoas de várias etnias. A comissão formada para dar fim ao impasse, composta por representantes dos fazendeiros, indígenas e integrantes do Poder Público, chegou a apresentar proposta de compra das áreas por R$ 78 milhões, mas houve divergência e nada ficou acordado. Até hoje nenhuma outra proposta foi apresentada.

Jornal Midiamax