Política

Agiota bate boca com advogado de Olarte durante depoimento à Justiça

Ele alega, ainda, que entregou R$ 35 mil ao pastor

Jessica Benitez Publicado em 27/11/2015, às 17h25

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Ele alega, ainda, que entregou R$ 35 mil ao pastor

Apontado como agiota no processo de corrupção passiva contra o vice-prefeito afastado de todas as funções públicas, Gilmar Olarte (PP), Salem Pereira Vieira foi a última testemunha de acusação a prestar depoimento na período da manhã no TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul) e discutiu com o advogado do pastor, Jail Azambuja.

Inicialmente ele respondeu aos questionamentos feitos pelo MPE (Ministério Público Estadual) e admitiu que eventualmente troca cheques para pessoas mais próximas e conhecia Ronan Feitosa como 'primeiro homem de Olarte', com o qual começou a se relacionar há cerca de 3 anos e, quando percebeu fundo golpista nos atos, decidiu gravar diálogo entre eles.

Sem saber detalhar a data em que faz a filmagem, Salem contou que utilizou caneta e equipamento israelense para o feito. “Quando fui atrás do Ronan senti que ele era mais malandro do que outro. Era 171”. Por isso, quando procurou Olarte recebeu a garantia de que quem faria intermédio para o esquema seria feito por Rodrigo Pimentel, secretário de Governo e Relações Institucionais na gestão do pastor, porém não chegou fazer contato de fato.Agiota bate boca com advogado de Olarte durante depoimento à Justiça

“Foi quando muitas pessoas me procuraram para dizer que estavam sendo vítima do golpe”, explicou. Neste tempo também teve contato com o irmão de Ronan, Paulo Cesar, para tratar sobre a questão dos cheques, “mas ele me contou que foi traído pelo próprio irmão porque recebeu um motocicleta de Ronan que a pegou de volta por meio de Boletim de Ocorrência”.

Sem sucesso com os interlocutores, Salem procurou Olarte e conseguiu contato uma vez via telefone. Entregou então R$ 36 mil dentro de um envelope para Ronan levar ao vice-prefeito afastado. “E tomei prejuízo”. Questionado sobre os detalhes da filmagem, ele só soube dizer que foi feito em 2014.

Quando estava com a filmagem em mãos procurou o prefeito de Campo Grande Alcides Bernal (PP) para mostrar que estava sendo envolvido numa trama golpista. Jail, então, iniciou série de perguntas, mas a testemunha respondia ser forma irônica e sem conteúdo. Houve pequena discussão e o juiz Luiz Claudio Bonassini precisou intermediar o interrogatório. Salem revelou que pagou R$ 5,5 mil pela perícia do vídeo. Depois do depoimento a sessão foi suspensa para o almoço e retorna após às 14h30.

Caso – No total, 28 pessoas são esperadas para depoimentos nas oitivas contra Gilmar Olarte, Ronan Feitosa e Luiz Márcio Feliciano. Juntos, eles respondem pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A vice-governadora Rose Modesto (PSDB) estava na lista, mas conseguiu adiar o depoimento dela para 22 de janeiro de 2016.

Esta também será a data do depoimento de quem não comparecer hoje. Segundo Ministério Público Estadual, o trio deve responder por lavagem de dinheiro e corrupção passiva por ter trocado cheque em branco por promessas de cargo e outras vantagens na Prefeitura de Campo Grande.

Jornal Midiamax