Política

Puccinelli tem 1.900 cargos políticos com altos salários no Governo do Estado

Funcionários contratados sem concurso público, por ligação política, representam 3,5% do total de 54.305 servidores do Estado.

Arquivo Publicado em 31/03/2013, às 14h47

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Funcionários contratados sem concurso público, por ligação política, representam 3,5% do total de 54.305 servidores do Estado.

Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que o governo de Mato Grosso do Sul tem 1.900 servidores que ocupam vagas como cargos comissionados. Eles representam 3,5% do total de 54.305 funcionários do Estado. Os dados foram enviados ao IBGE pelo próprio Governo do Estado.

A pesquisa sobre a estrutura burocrática dos estados revelou que o governador André Puccinelli (PMDB) ocupa o 14º lugar entre os governadores com o maior número de comissionados. Se for levar em conta o número de funcinários sem concurso para cada 100 habitantes, Mato Grosso do Sul ocupa o oitavo lugar, com 2,2%. Dos servidores do Estado, quase metade, 47%, não têm nível superior.

A pesquisa do IBGE revelou que os estados abrigam 105,5 mil servidores sem concurso público em todo o País. O líder em contratação de comissionados é o Estado de Goiás, com 10.175 contratados sem concurso público. A Bahia é o segundo estado com o maior número de comissionados, com 9.240 servidores, seguido por Rondônia, Amapá e Paraíba.

O governador André Puccinelli já admitiu ao Midiamax que paga no mínimo R$ 3,8 mil para cargos comissionados trabalharem com jornada de apenas quatro horas diárias. Puccinelli entregou que paga o alto salário ao ser indagado especificamente sobre o caso do ex-deputado Reginaldo Ferreira, do PRB, que foi exonerado, mas conseguiu emplacar a esposa, Rosemary Bezerra, com o mesmo salário na governadoria. O governador afirmou que Rosemary não ganha o mesmo salário e acabou entregando os demais: “Existe com produtividade e sem produtividade. Com expediente de 8 horas, de 4 horas. Têm vários. Vai de R$ 3,8 mil, como mínimo, até R$ 7 mil como máximo bruto”, justificou.

Nesta semana ele nomeou Sérgio Roberto Castilho Vieira no cargo em comissão de Direção Superior e Assessoramento, DGA-1, na Secretaria de Estado. Sérgio Roberto era o principal assessor de Dagoberto Nogueira quando ele era deputado federal e já foi presidente municipal do PDT em Dourados.

Puccinelli já ocupou boa parte das 143 vagas abertas com as exonerações do começo do ano. Na lista de abrigados estão os ex-secretários de Nelsinho Trad (PMDB), Rodrigo Aquino e Paulo Nahas, candidatos a vereador derrotados, Magali Picarelli, Mariano Cabreira e Waldemir Poppi, e candidatos a prefeito derrotados, como Solange Ohara, que perdeu a prefeitura de Corumbá para Paulo Duarte (PT).

O governador está usando os cargos comissionados para tentar manter partidos na base de sustentação e garantir uma aliança ampla para as eleições em 2014. Ele não esconde que incha a administração com cargos. Porém, garante que todos trabalham. “Não precisa ficar com o bumbum na cadeira para trabalhar”.

Na prática, é difícil comprovar a presença dos comissionados. O Midiamax foi impedido de entrar no prédio da governadoria para falar com alguns comissionados contratados como DGA-1, com salário que segundo decreto do próprio governo, é de R$ 4.873,01, com direito a mais 60% de representação, podendo chegar a R$ 7.796,81.

O chefe da comunicação de Puccinelli, Guilherme Filho, disse que a reportagem não entraria no prédio e poderia falar com os funcionários pelo telefone. “Não é o caso. Se você quer esclarecer se trabalham de fato. Tem como: liga para eles, para a assessoria de governo e não tem problema nenhum, a gente informa”. A reportagem ligou para tentar falar com uma das comissionadas, Rosemary Bezerra, pelo telefone, mas a secretária Rose informou, as 16h50, que o RH (Recursos Humanos) já estava fechado e não teria como saber onde a funcionária trabalhava.

As suspeitas de fantasmas na governadoria aumentaram depois de comentários feitos pelos próprios vereadores. O caso mais famoso é o do recém exonerado Juvêncio César da Fonseca, ex-senador e prefeito de Campo Grande. Juvêncio foi exonerado com 143 outros comissionados, pouco tempo depois do ex-vereador Athayde Nery (PPS) dizer que ele ganhava um ótimo salário, sem cumprir expediente.

Em novembro do ano passado, uma denúncia de filiados ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) também trouxe a tona as suspeitas de cargos fantasmas no governo de André Puccinelli (PMDB). Os filiados solicitaram afastamento do presidente estadual do PTB, Ivan Louzada, até que fossem esclarecidas denúncias de que o partido estaria “recebendo recursos indiretamente do Poder Público”, por meio da nomeação de 10 apadrinhados do presidente regional, na Casa Civil do governo de André Puccinelli.

Jornal Midiamax