O prefeito Alcides Bernal (PP) está correndo contra o tempo para ampliar a base de sustentação dele na Câmara de Campo Grande, que hoje é de apenas seis vereadores, e chegar aos 10 necessários para fugir da cassação. Durante a semana o prefeito conversou com vários partidos,  recebeu não do PSB e do PTB, primeiros procurados, mas não desistiu.

“Semana que vem já deve ter um resultado desta peregrinação. Depende do Bernal este efeito, saindo do discurso e colocando em prática as conversas”, opinou o presidente do PPS, Athayde Nery, que também ajuda no diálogo com partidos. Athayde informou que o prefeito mantém o diálogo com os partidos e ainda pode reverter o quadro em breve.

Aliado do prefeito, o líder do PPS está otimista com o trabalho do secretário de Governo, Pedro Chaves. Ele avalia que Chaves conseguiu distensionar e estabelecer uma relação republicana com os partidos, o que faltava para Bernal. “O Bernal tem que agir politicamente. Nós temos que pensar em Campo Grande. Uma crise interminável leva a estagnação da cidade”, concluiu.

Pressa

O vereador Edson Shimabukuro (PTB) é um dos vereadores cotados para integrar a base mas explica que a conversa não foi para frente por falta de atitude do prefeito. Ele conta que as lideranças do PTB conversaram com Bernal, mas desistiram de integrar a base por conta da demora para dar um retorno.

“O presidente do partido (Ivan Louzada) entendeu que ele não deu a importância devida para o PTB. Por isso, diz que não é possível. Hoje temos um compromisso com o gruupo que votamos juntos, na abertura da Comissão Processante. Temos este compromisso até decidirmos se ficamos na base ou na oposição”, detalhou.

Shimabukuro entende que as conversas esfriaram por conta do congelamento da Comissão Processante, conquistado por via judicial. Todavia, avalia que Bernal precisa correr contra o tempo para conseguir 15 vereadores, necessários para aprovar projetos, e não só os 10 que podem barrar uma cassação na Câmara.

“O Bernal tem que partir para cima com tudo. Se ele bobear, entre o pessoal do governador e não deixa ele terminar o mandato. Ele tem que ter na cabeça que não precisa só de 10, mas de 15, 16 ou 17 vereadores. O primeiro passo é conquistar 10, mas depois tem que chegar a, no mínimo, 15”, concluiu.

Na busca por novos aliados Bernal chegou a oferecer secretarias criadas há mais de cinco meses e que ainda continuam no papel. Ele ofertou a secretaria da Juventude ao PSB, que recusou, alegando que precisa da definição da Comissão Processante. O partido entendeu que aceitar um cargo do prefeito em meio a crise poderia caracterizar uma barganha.

Hoje Bernal tem como aliados na Câmara os vereadores Alex do PT, Ayrton do PT, Zeca do PT, Gilmar da Cruz (PRB), Cazuza (PP) e Luiza Ribeiro (PPS). Ele já esteve bem perto de chegar aos 10 necessários para barrar a comissão, mas acabou perdendo forças com a saída de Waldecy Chocolate (PP) e Rose Modesto (PSDB).