Política

CPI diz que Bernal gasta R$ 1,4 mil com frutas, enquanto faltam alimentos em creches

Além das 10 frutas descascadas e cortadas, o kit do Papa Frutas para o prefeito prevê a entrega de barra de cereal, biscoito de aveia e leite condensado

Arquivo Publicado em 01/07/2013, às 19h14

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Além das 10 frutas descascadas e cortadas, o kit do Papa Frutas para o prefeito prevê a entrega de barra de cereal, biscoito de aveia e leite condensado

Em reunião na tarde desta segunda-feira (1), o relator da CPI do Calote, vereador Elizeu Dionízio (PSL) revelou que, enquanto faltam alimentos nos Centros de Educação Infantil (Ceinfs) de Campo Grande, o prefeito Alcides Bernal (PP) fechou contrato de R$ 1.470,00 para empresa fornecer diariamente ao seu gabinete 10 frutas variadas.


“Salta aos olhos os Ceinfs estar sem frutas e verduras e o prefeito fazer contrato para receber 10 frutas variadas por dia”, comentou o relator. Ele reforçou ainda que a lista de documentos está incompleta, por isso, não soube especificar se o valor gasto com as frutas é quinzenal, mensal ou anual. Além das 10 frutas descascadas e cortadas, o kit do Papa Frutas entrega barra de cereal, biscoito de aveia e leite condensado.


Além disso, Elizeu reforçou hoje a indignação com o fato de a prefeitura não cumprir acordo de entregar a documentação completa dos contratos até 24 de junho.  “O prefeito demonstrou pouco caso e falta de respeito com o Poder Legislativo, porque solicitou a dilação do prazo como uma manobra para protelar a investigação, o que pode causar infração político-administrativa e crime de responsabilidade”, comentou Elizeu.


“Não adianta mandar contratos, sem execução e pagamentos, porque não tem como cruzar as informações”, explicou. Até agora, a prefeitura enviou 10 caixas de documentos à CPI.


“Para que aconteça o trabalho da CPI, o prefeito teria que ter mandato todos os processos de despensa que tenha efetuado o pagamento, que tenha realizado medições, que tenha sido liquidado e que ainda não foram pagas e todos os processos de despesa não realizados e que tenha previsão de pagamento, acompanhado da justificativa de atraso”, frisou o relator.


Ele ainda cobrou “todos os empenhos da prefeitura até a presente data, empenhos liquidados a pagar, empenhos a liquidar, empenhos não pagos por modalidade de licitação e extrato bancário de conta corrente até a presente data”.


O relator ainda pôs em xeque a organização da administração municipal. Segundo ele, o prefeito informou o envio de 440 contratos. “Mas vieram 459, nem a prefeitura tem controle do que envia”, concluiu.


Agora, a comissão estuda se faz busca e apreensão do restante dos documentos na prefeitura. “A decisão é da presidência, mas eu, vereador Elizeu Dionízio, sou a favor de realizar a busca e apreensão de documentos e até de computadores se for preciso”, adiantou.


“O prefeito, ao meu ver, tem brincado com essa questão de prazo, para ele, acho que o direito não vale nada e ele brinca. Tem requerimento que está vencido há 80 dias e ele está brincando, achando que é mera formalidade, mas não é. Requerimento é função administrativa e, ele não respondendo, incorre em crime político-administrativo e cabe cassação de mandato”, alertou Dionísio.


Procurada pela reportagem, a assessoria da prefeitura não encaminhou versão sobre a aquisição do kit fruta até o fechamento da matéria. Procurado, Bernal não atendeu o celular e não retornou a ligação.

Jornal Midiamax