Política

Câmara de Campo Grande nunca fez CPI; Puccinelli conseguiu derrubar duas

Se os vereadores Zeca do PT e Luiza Ribeiro (PPS) não conseguirem abrir a Comissão Parlamentar de Inquérito da Saúde (CPI da Saúde), a Casa continuará, segundo o vereador Paulo Pedra (PDT), com o tabu de nunca ter realizado nenhuma CPI. A Câmara já tentou emplacar duas outras CPI’s, mas foi barrada por André Puccinelli (PMDB), então […]

Arquivo Publicado em 25/03/2013, às 18h33

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Se os vereadores Zeca do PT e Luiza Ribeiro (PPS) não conseguirem abrir a Comissão Parlamentar de Inquérito da Saúde (CPI da Saúde), a Casa continuará, segundo o vereador Paulo Pedra (PDT), com o tabu de nunca ter realizado nenhuma CPI. A Câmara já tentou emplacar duas outras CPI’s, mas foi barrada por André Puccinelli (PMDB), então prefeito de Campo Grande.

A primeira aconteceu nos primeiros anos da administração de André Puccinelli, no escândalo conhecido como “Lixogate”, que envolvia o empresário Moreno Gori. O empresário foi acusado pelo Ministério Público Federal de falsificar carteiras de identidade. Os documentos foram usados para montar a empresa que ficaria encarregada pela coleta e transformação do lixo em energia em Campo Grande, na administração de Puccinelli.

Segundo o Ministério Público Federal, o empresário italiano prometeu investir US$ 128 milhões para tocar o serviço. O então líder de Puccinelli, Athayde Nery (PPS), avisou que os vereadores estavam dispostos a abrir a CPI e aconselhou o prefeito a cancelar a licitação.

“Eu disse a ele que a CPI só não sairia se ele publicasse que não haveria mais licitação por conta de ter observado ilícito. Ele disse que denunciaria e fez isso. Denunciou o empresário e encerrou o processo”, explicou

Athayde conta que acompanhado do então vereador Nelson Trad Filho (PMDB), em 1998 também tentou fazer a CPI da Santa Casa. Ele chegou a ter as sete assinaturas necessárias para investigar irregularidades no hospital, mas vereadores da base de Puccinelli acabaram retirando as assinaturas.

O ex-vereador explica que a disputa entre base e oposição sempre dificulta a criação de uma CPI. Ele avalia que as investigações são importantes porque fazem parte do trabalho do parlamentar. Todavia, ressalta que é preciso apoio da população. “Não adianta só querer”, analisou.

Curiosamente, nesta legislatura é a oposição a responsável por boicotar a CPI. Liderada por Paulo Siufi, a oposição tenta convencer que não cabe aos vereadores fazer investigação. Nas redes sociais há um clamor para a realização da CPI e muitas críticas contra os parlamentares que não assinaram a favor. Há quem diga que o sobrenome Siufi, do médico Adalberto Siufi, seria um dos motivos mais fortes que levam alguns vereadores a não assinarem a favor .

A CPI da Saúde foi apresentada pela vereadora Luiza Ribeiro e ganhou apoio de Zeca do PT. A dupla conseguiu assinaturas dos vereadores Cazuza (PP), Waldecy Chocolate (PP), Paulo Pedra (PDT), Alceu Bueno (PSL), Eduardo Romero (PT do B), Gilmar da Cruz (PRB) e Chiquinho Telles (PSD). Porém, Alceu Bueno, Gilmar da Cruz e Chiquinho Telles retiraram assinaturas após pronunciamento de Paulo Siufi (PMDB), que foi contra a abertura. Para conseguir abrir a CPI os vereadores precisam de dez assinaturas.

O prefeito Alcides Bernal (PP) foi o primeiro a sugerir uma CPI da Saúde. “Por que não abrimos uma investigação? Uma CPI da saúde. Vamos falar de centenas de veículos que estão sucateados. Dezenas de ambulâncias que estão em cima de tocos nas oficinas. E que estão lá jogados”, criticou. “Por que não abre uma CPI da Santa Casa, para avaliar o que aconteceu. Para onde foi o dinheiro? Por que não abre uma CPI do hospital do Câncer? A Polícia Federal realizou ontem uma devassa em clínicas e hospitais do Câncer e Universitário. O que aconteceu? Teve médico preso, de renome, cujo sobrenome todos nós conhecemos”, acrescentou o prefeito.

Jornal Midiamax