Antes de definir CPI, vereadores jantaram com Nelsinho na casa de Mário César

Jantar na casa do presidente da Câmara aconteceu na véspera da criação da CPI e reuniu Nelsinho, Puccinelli e 14 vereadores.
| 11/05/2013
- 19:31
Antes de definir CPI, vereadores jantaram com Nelsinho na casa de Mário César

Jantar na casa do presidente da Câmara aconteceu na véspera da criação da CPI e reuniu Nelsinho, Puccinelli e 14 vereadores.

Na véspera de definir os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) criada para investigar o Hospital do Câncer e o Hospital Universitário, quinta-feira (9), o presidente da Câmara, vereador Mário César (PMDB), recebeu na casa dele para um jantar o ex-prefeito (PMDB), o governador André Puccinelli (PMDB) e 14 vereadores diretamente ligados ao grupo.

A reunião na casa do presidente da Câmara excluiu os nove vereadores da base do prefeito Alcides Bernal (PP) e seis integrantes do grupo de independentes, chamado de “G6”, criado na Câmara para acabar com a briga entre a Casa e o prefeito. O encontro, coincidentemente na véspera da definição dos integrantes, causou estranheza e suspeita de que o prato principal tenha sido quem seriam os indicados pelo grupo para compor a CPI.

“Logicamente houve uma discussão e estratégia traçada até em questão de composição. Seria ingenuidade não acreditar nesta hipótese como real. Foi estratégia política para ocupar espaço. Avalio que o principal prato da noite foi de traçar estratégia para participação do grupo na condução da CPI”, analisou o líder do prefeito, vereador Alex do PT.

A vereadora Luiza Ribeiro (MD) também se espantou com a reunião na véspera da indicação. “Considero natural uma reunião, mas é visível para a sociedade que o PMDB, através de seus vereadores, tentam criar mecanismos que assegurem uma investigação que não os responsabilizem. Impediram a CPI e depois de formada têm criado mecanismo para que as investigações não cheguem aos ex-secretários e ao ex-prefeito e candidato a governador do PMDB. Estão trabalhando”, opinou.

Para o vereador Zeca do PT, toda a manobra demonstra o medo que o PMDB, Puccinelli e Nelsinho têm de qualquer investigação. “A reunião foi para afinar a viola e criar uma sintonia para definir a CPI, que não podia mais ser recusada. É o desespero de quem sabe que tem muita sujeira debaixo do tapete e está com medo de que as pessoas possam levantá-lo”, avaliou.

Negaram

Mário César negou que tenha feito reunião com os vereadores. Mas, acabou admitindo que recebeu o governador, ex-prefeito e vereadores para um jantar. Todavia, afirmou que não discutiu a composição da CPI. “Eu tenho relações com o governador, mas não discutimos nada. Até porque tinha família lá”, justificou.

Questionado sobre as suspeitas levantadas pelo encontro com a presença só de vereadores que são oposição ao prefeito, Mário César foi ríspido e disse que “convida quem ele quiser”. Segundo o presidente, as reuniões acontecem com frequência.

Indicado como integrante após a reunião, o vereador Coringa (PSD) confirmou que participou do encontro com Puccinelli e Nelsinho. Porém, afirmou que não trataram de composição da CPI. O vereador alegou que os encontros acontecem mensalmente e a lista de convidados é de responsabilidade do anfitrião.

Composição

Por coincidência ou não, no dia seguinte (10), os vereadores ligados a Nelsinho Trad conseguiram emplacar o líder dele na Câmara, Flávio César (PTdoB) como presidente e a vereadora Carla Stephanini (PMDB), relatora. Na presidência, com três votos, Flávio César conseguiu convencer Coringa a retirar o nome para a relatoria e indicar Carla. Ele disse ao vereador que Carla teria direito por ser do partido com o maior número de vereadores na Casa. Alex também tentou ficar com a relatoria, pedindo um equilíbrio dentro da comissão, mas ele e Cazuza (PP) tiveram os votos vencidos.

Com três aliados na CPI, Nelsinho Trad e seus ex-secretários de Saúde, (cunhado) e Luiz Henrique Mandetta (primo), ficaram em situação bastante confortável e nem devem ser chamados para prestar esclarecimentos. Cazuza e Alex do PT podem tentar, mas serão voto vencido em uma comissão de apenas cinco integrantes.

Antes de demarcar o espaço na CPI, os aliados a Nelsinho conseguiram boicotar a presença da vereadora Luiza Ribeiro (MD), que foi a primeira a indicar uma CPI na Câmara. Alegando que seguiu o regimento, Mário César impediu que o PT, com direito a uma vaga por ter três vereadores na Casa, indicasse Luiza Ribeiro como representante. O vereador Paulo Pedra (PDT) tentou convencer o presidente, alegando que não havia no regimento algo que proibisse a indicação, mas Mário César pediu para a procuradoria jurídica da Câmara encontrar uma jurisprudência e excluiu a vereadora.

Luiza ganhou a antipatia dos vereadores ligados a Nelsinho quando apresentou pela primeira vez um requerimento pedindo CPI na Casa. Os 20 vereadores que rejeitaram a proposta foram rechaçados pela população, que apelidou o grupo de “vilões da saúde”. Eles ficaram irritados e chegaram a acusá-la de fazer política para expor os colegas. Após duas tentativas de emplacar a CPI, Luiza foi rejeitada novamente pelos colegas na terça-feira (7), quando apresentou um requerimento solicitando uma CPI ampla da Saúde em Campo Grande. Os aliados de Nelsinho derrubaram a proposta e aprovaram o requerimento de Flávio César, aprovando uma CPI mais branda, com investigação só de dois hospitais.

A reunião com Nelsinho e Puccinelli contou com a participação dos vereadores: Flávio César, Otávio Trad (PTdoB), Eduardo Romero (PTdoB), Vanderlei Cabeludo (PMDB), Carla Stephanini (PMDB), Edil Albuquerque (PMDB), Chiquinho Telles (PSD), Delei Pinheiro (PSD), Coringa, Grazielle Machado (PR), Elizeu Dionízio (PSL), Airton Saraiva (DEM) e Juliana Zorzo (PSC).

Foram excluídos da reunião os vereadores da base de Bernal: Alex do PT, Zeca do PT, Ayrton do PT, Luiza Ribeiro, Gilmar da Cruz (PRB), Cazuza (PP), Waldecy Chocolate (PP), Rose Modesto (PSDB) e João Rocha (PSDB). Também não foram convidados os vereadores do G6: Paulo Pedra (PDT), Paulo Siufi (PMDB), Carlão (PSB), Edson Shimabukuro (PTB), Dr. Jamal (PR) e Alceu Bueno (PSL).

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