Política

Votação de vereadores prejudica os mais carentes, diz Bernal

Diante da burocratização dos investimentos aprovada pelos vereadores, o futuro prefeito lamentou que não terá condições de levar rapidamente melhorias para a periferia de Campo Gramde

Arquivo Publicado em 20/12/2012, às 15h30

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Diante da burocratização dos investimentos aprovada pelos vereadores, o futuro prefeito lamentou que não terá condições de levar rapidamente melhorias para a periferia de Campo Gramde

Em resposta a votação na Câmara Municipal que burocratizou investimentos em Campo Grande, o futuro prefeito, Alcides Bernal (PP), avaliou que a postura dos vereadores prejudicará os mais carentes por inviabilizar ação imediata para melhorar os serviços públicos nos bairros. Ele ainda classificou a decisão de reduzir sua autonomia como “revanchista e politiqueira”.


“Não terei condições de levar, rapidamente, melhorias para os bairros e isso pode prejudicar muito, principalmente, os mais humildes que residem na periferia”, disse Bernal sobre emenda aprovada pelos vereadores que reduziu de 30% para 5% o percentual para abrir créditos adicionais, sem autorização da Câmara em despesas não computadas ou insuficientemente dotadas na Lei Orçamentária Anual (LOA).


Bernal venceu a disputa eleitoral com o discurso de dar atenção especial à periferia da Capital. Na cerimônia de diplomação, realizada na terça-feira (18), ele reforçou que sua “administração terá ênfase nos mais carentes e necessitados e vai trazer o desenvolvimento dos bairros para o centro”.


Agora, porém, para implementar qualquer melhoria nos bairros, não prevista no orçamento elaborado pela equipe do atual prefeito Nelsinho Trad (PMDB), ele precisará do aval do vereadores. Dos 29 eleitos, 21 venceram pela coligação contrária a de Bernal.


“Adversários, através de vereadores, estão tentando impedir uma boa administração, burocratizando para prejudicar, tentando impedir que eu leve melhorias para os bairros da nossa cidade. É uma maneira clara de pressionar a administração e boicotar para que eu não possa fazer o que eu quero que é levar melhorias para os bairros”, avaliou o futuro prefeito.


Bernal ainda suspeita da intenção de alguns vereadores tomarem decisões desfavoráveis à sua administração para forçar negociações. “Estão exigindo conversas políticas no mínimo muito suspeitas. Mas não vou me submeter a exigências que não são corretas e legais. Estão impondo uma derrota ao município e ao povo”, disparou.


Para ele, a suposta tentativa de prejudicá-lo é uma “atitude revanchista e politiqueira de alguns que querem impor uma derrota ao município”. “Vou ter que fazer um esforço redobrado para fazer com que tudo aconteça e não prejudique a cidade e o povo”, reforçou.


Para finalizar, Bernal destacou que, “enquanto os vereadores estavam aqui, reduzindo a R$ 140 milhões o que poderia ser até seis vezes mais, eu estava em Brasília garantindo recursos para o município, com ações que vão garantir investimentos a Campo Grande”.


A votação


Com doze votos favoráveis e sete contrários, os vereadores de Campo Grande aprovaram, na sessão de quarta-feira (19), o orçamento para o ano de 2013 com a emenda que reduziu o poder do futuro prefeito.


A proposta teve votos favoráveis dos vereadores: Airton Saraiva (DEM), Paulo Pedra (PDT), Dr. Loester (PMDB), Magali Picarelli (PMDB), Mário César (PMDB), Vanderlei Cabeludo (PMDB), Lídio Lopes (PP), Grazielle Machado (PR), Carlão (PSB), Cristóvão Silveira (PSDB), Flávio Cesar (PTdoB) e Athayde Nery (PPS).


Eles justificaram a intenção à pressão popular para aumentar a participação da Câmara nas decisões do prefeito. Nos últimos 16 anos, nas gestões de Nelsinho e de André Puccinelli (PMDB), os vereadores aprovaram a suplementação de 30%.

Jornal Midiamax