Política

Vereadores querem aumentar salário de Bernal para criar marajás na prefeitura

Vereadora Thais Helena descobriu que colegas usam aumento de salário de prefeito como manobra para beneficiar servidores com altos salários

Arquivo Publicado em 21/12/2012, às 12h42

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Vereadora Thais Helena descobriu que colegas usam aumento de salário de prefeito como manobra para beneficiar servidores com altos salários

Os vereadores de Campo Grande votam nesta sexta-feira (21), última sessão do ano, o reajuste do salário do próximo prefeito. Alcides Bernal (PP) já anunciou que não gostaria de ter o salário reajustado, mas não foi ouvido e vereadores querem reajustar o salário em 31%, alegando que servidores de 26 categorias seriam prejudicados com o congelamento do salário.

Após várias reclamações de servidores, a vereadora Thais Helena (PT) começou apurar a veracidade das informações e constatou que o reajuste defendido, principalmente pelos vereadores Mário César (PMDB), Lídio Lopes (PP) e Airton Saraiva (DEM), só beneficiará servidores que podem receber o mesmo salário do prefeito, que hoje é de R$ 15 mil.

Thais Helena conta que consultou várias categorias listadas pelo Sindicato dos Auditores da Receita Municipal como prejudicados e constatou que as informações não são verdadeiras. Segundo a vereadora, servidores da Associação Cultural dos Terapeutas Ocupacionais, fisioterapeutas, farmacêuticos, dentistas, funcionários do Hospital Regional e até médicos disseram que o benefício será estendido apenas a pouquíssimos servidores, fiscais de renda e procuradores, que podem receber o teto máximo, que é o salário do prefeito.


“Estes servidores estão longe de ganhar R$ 15 mil. Só três médicos podem chegar ao salário de R$ 15 mil. Quem receberá o aumento, com certeza, são procuradores e auditores, que recebem por produtividade e pode chegar ao salário do prefeito”, explicou.

O reajuste proposto pelos vereadores faria o salário do prefeito e, consequentemente dos servidores, passar de R$ 15 mil para R$ 20 mil. Este reajuste não significa acréscimo algum aos servidores, já que só receberão o teto máximo os servidores que ganham por produtividade. A maioria dos servidores da prefeitura está bem longe do patamar dos R$ 15 mil.

O vereadora Mário César, que também é fiscal de renda de carreira, nega que esteja favorecendo a categoria que ele pertence. “Não na concepção de colega, no sentido pejorativo, e sim a categoria de auditor, da qual faço parte. Sou concursado público e somos responsáveis por toda a receita do município. Todo oxigênio do município vem pela receita. Se não tiver receita, não consigo gastar. Recebemos pelo dinheiro que entra no caixa e não pelo que vai entrar. Nós mesmos nos custeamos”, justificou.

O vereador disse que ainda não apresentou a emenda para reajustar o salário e vai avaliar a possibilidade com os vereadores. Na sessão de ontem (20), Mário Cesar defendeu um reajuste de 61% a Bernal e aos servidores, o que faria o salário aumentar em até R$ 10 mil, chegando a R$ 25 mil. “Este aumento igualaria o valor que é pago a outros municípios do Estado como Nova Andradina e Três Lagoas.”

Mário Cesar justifica ainda que os secretários municipais são prejudicados com o congelamento e hoje recebem menos do que um adjunto. Segundo ele, um secretário municipal recebe R$ 8.400 bruto, o que está bem abaixo dos R$ 10.400 pagos a adjuntos e R$ 11 mil aos diretores de fundações. O vereador Lídio Lopes (PP) também defendeu o reajuste para não prejudicar servidores. Ele chegou a dizer que Bernal poderia doar o salário se não quisesse o reajuste.

O presidente da Câmara de Campo Grande, Paulo Siufi (PMDB), explicou que é obrigado a colocar o projeto de salário do prefeito na pauta. Todavia, pretende respeitar a vontade de Bernal e manter os R$ 15 mil. Assim, caberá aos vereadores apresentarem uma emenda, caso julguem necessário reajustar.

Jornal Midiamax