Política

Movimento protesta contra aumento de salário de vereadores e sugere uso de verba na saúde

Em quatro anos, aumento equivale a R$ 9 milhões, dinheiro suficiente para contratar 120 professores, 240 atendentes de postos de saúde e 200 guardas municipais

Arquivo Publicado em 29/11/2012, às 15h39

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Em quatro anos, aumento equivale a R$ 9 milhões, dinheiro suficiente para contratar 120 professores, 240 atendentes de postos de saúde e 200 guardas municipais

A representante do “Movimento Voluntário” criado na rede social Facebook, Patrícia Arruda Fonseca, fez pronunciamento contra a proposta de reajuste salarial dos vereadores de Campo Grande, durante a sessão da Câmara Municipal, e causou tumulto.

A Guarda Municipal precisou ser chamada para conter os ânimos depois que os vereadores reforçaram que devem aprovar o aumento. O vereador Athayde Nery (PPS) foi um dos poucos que se manifestou e defendeu que o aumento é legal e moral. “Os vereadores estão aqui para representar o povo”, disse.

Durante a discussão Athayde ficou irritado com a insistência e cobranças dos manifestantes e alfinetou Patrícia, filha do ex-vereador e prefeito de Campo Grande, Juvêncio Cesar da Fonseca. “Ela (Patrícia) é filha do Juvêncio que trabalha na Governadoria e tem salário altíssimo, será que esse cargo não seria fantasma?”, provocou.

Para Patrícia, o reajuste representaria aumento de R$ 9 milhões em quatro anos dos gastos com a Casa de Leis, dinheiro suficiente para contratar mais profissionais da saúde, educação e segurança pública. “Vereador não deve receber salário e sim uma ajuda de custo. Com este dinheiro poderíamos contratar 120 professores, 240 atendentes de postos de saúde e 200 guardas municipais. O vereador deve representar a voz do povo e não apenas o voto que recebeu”, discursou Patrícia.

Outra reivindicação do “Movimento Voluntário” é que a proposta deveria ter sido votada antes das eleições e não agora, com os vereadores eleitos. Por esse motivo, o movimento colhe assinatura para abaixo-assinado que será apresentado aos vereadores no dia da votação. Com o reajuste o salário dos vereadores passaria de R$ 9 mil para R$ 15 mil. As assinaturas são colhidas pelo Facebook e no cruzamento da avenida Afonso Pena com a rua Quatorze de Julho.

A proposta de reajuste de 66% do salário dos vereadores deve ser votada até o fim do mês, de acordo com o presidente da Câmara Paulo Siufi (PMDB). Porém, a data da votação ainda não foi definida. Siufi assegurou que a sociedade será informada. “A votação tem que ser ainda este ano. É direito se manifestar, pois a Câmara é a casa do povo. Mas acredito que o aumento é justo e moral”, afirmou Siufi.

O presidente da Câmara só vota em caso de empate, mas já adianta que é favorável ao aumento. “Quem é contra e acha que é ilegal que se candidate a vereador e vote contra o aumento”, comentou Siufi.

Os vereadores votarão ainda este ano pela aprovação do teto máximo permitido pela Constituição Federal, que é de 75% do salário de um deputado estadual. Atualmente, os deputados estaduais recebem mensalmente R$ 20 mil. No mesmo período o reajuste do trabalhador comum deve ser de 7% em 2013, quando o salário mínimo deve sair de R$ 622 para 667,75.

Jornal Midiamax