Política

Falta de fiscalização no 1º turno preocupa equipe de Bernal

Na falta de policiamento ostensivo, a preocupação é que a compra de votos e a boca de urna alterem o resultado final da eleição

Arquivo Publicado em 18/10/2012, às 11h11

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Na falta de policiamento ostensivo, a preocupação é que a compra de votos e a boca de urna alterem o resultado final da eleição

A falta de fiscalização ostensiva nas zonas eleitorais de Campo Grande, que permitiu aglomerações nas escolas que abrigaram os eleitores do 1º turno, volta a preocupar advogados da coligação ‘A Força da Gente’, de Alcides Bernal, por causa da segurança eleitoral do 2º turno.

Para o advogado da coligação, Lênio Benhur, apesar do juiz da 54ª Zona Eleitoral de Campo Grande, Wagner Mansur Saad, ter declarado no dia 3 de outubro que “a Justiça Eleitoral está atenta, mas nós não estamos mobilizando efetivo, meios, recursos para cuidar exclusivamente desta questão”, a coligação vai propor mudanças para evitar o descontrole no dia da votação.

O advogado adiantou que vai solicitar ao TRE/MS uma fiscalização mais ostensiva para evitar a compra de votos, “porque a falta de prisão dos aliciadores causa a sensação de impunidade, e a consequência disso pode desvirtuar o resultado final da eleição”.

“Vamos propor que a Polícia Federal entre no circuito com o seu serviço de inteligência e faça rondas ostensivas em conjunto com a PM, nos locais de maior movimentação de eleitores”, asseverou Lênio Benhur.

Durante a votação em 1º turno, a reportagem percorreu vários colégios de Campo Grande, locais densamente povoados e carentes, como Morenhinas II e III, Coophavila II, Canguru, Aero Rancho, Lageado, Los Angeles entre outros.

Sem nenhum exagero, em determinadas zonas eleitorais havia tanta gente parada ao redor das escolas que o local de votação se assemelhava a uma feira-livre.

Do lado de fora, cabos eleitorais conversavam com eleitores desconhecidos, na famosa ‘boca de urna’ proibida por lei. No interior das escolas, pessoas estranhas às sessões eleitorais chegavam bem próximas das salas que abrigavam de votação e, nos corredores, conversavam com eleitores.

Aglomerações favorecem a compra de votos

Mesmo proibidas pela Portaria nº 16/2012 do TRE/MS, as aglomerações e a boca de urna foram constantes durante todo o dia de votação.

Um exemplo real da compra de votos foi a prisão pela PM de dois cabos eleitorais que estavam em uma camionete, com notas de R$ 100,00, o famoso “cenhão”, na escola estadual Waldemar de Barros Silva, em Moreninhas II.

Mas nem sempre foi fácil para a polícia dar flagrante. Um PM que havia acabado de chegar com sua equipe para averiguar suspeita de compra de voto na mesma região das Moreninhas, afirmou à reportagem que “de dez em dez minutos tem denúncia, mas a gente chega nas escolas e não encontra ninguém”. Nesse caso, o celular pode ter sido um bom aliado dos aliciadores.

Moreninhas II e III, que possuem colégios onde votam milhares de eleitores, como no Prof. Célia Maria Naglis, tinham pouco policiamento, como demonstra o vídeo da reportagem.

No Coophavila II, na Escola Estadual Padre Scampini, uma juíza eleitoral, acompanhada por policiais federais, apurava a presença de pessoas reunidas em frente ao colégio, inclusive a de um jovem vestindo camiseta com o nº 15 estampado nas costas. A ação ocorreu na parte da tarde.

Compra de votos tem origem no crime organizado

Quem vende seu voto nem sempre considera que a compra ocorre, em qualquer lugar do país, em função da organização de uma grande cadeia de operadores.

Primeiro, o ‘comprador’ principal que comanda o esquema teve que desviar dinheiro de obras públicas, aliciando empreiteiras, ou fornecedores das áreas da saúde e educação. Para isso, teve que ‘formar’uma, ou várias ‘quadrilhas’ setorizadas que fraudam licitações.

Só nesse caso são tipificados os crimes de corrupção ativa, passiva, formação de quadrilha, improbidade administrativa, ocultação de bens e até lavagem de dinheiro.

O corrupto, com o dinheiro em mãos, precisa fazer amplo levantamento da sua situação eleitoral na sua cidade ou estado, com pesquisas de intenção de voto, para saber onde ‘investir’. Às vezes, os fraudadores até escolhem quem eleger e quem deixar de lado dentro da sua própria coligação, mas o objetivo maior é derrotar o adversário.

Tudo isso só funciona através da ‘cooptação’de lideranças locais influentes nas regiões e vilas de interesse, em geral as mais habitadas.

A partir daí, a quadrilha tem que montar equipes para ‘chegar’ ao eleitor, e aí surgem os ‘especialistas’ locais.

Fora isso, a pressão sobre o funcionalismo é enorme, com ameaça de punição, se o servidor não concordar, ou vantagens em dinheiro, caso concorde em trabalhar para o candidato ‘oficial’.  O funcionário mais assediado pelo corrupto é o que lida com o público – os da saúde, educação e assistência social.

E há o ‘terrorismo’ sobre mães que têm filhos em creches, do tipo “se você não votar no fulano, seu filho vai perder a vaga”.

É uma verdadeira ‘máquina’ de compra de votos, cujo combustível principal é a corrupção em mais alto grau. E ainda cabe a pergunta: Se um corrupto comprou votos, para que será que ele quer se eleger?

Jornal Midiamax