Política

SindJor repudia atitude de vereador que teria chamado jornalista de “sapatão”

O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso do Sul (SindJor-MS) divulgou nesta terça-feira uma nota de repúdio à atitude do vereador e radialista Edicarlos Lourenço (PR), teria chamado a jornalista Débora Louise Gardin, de 26 anos, de “sapatão sem vergonha, que usa entorpecente e que pega as menininhas na calada da noite”, embora em um […]

Arquivo Publicado em 01/03/2011, às 23h06

None

O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso do Sul (SindJor-MS) divulgou nesta terça-feira uma nota de repúdio à atitude do vereador e radialista Edicarlos Lourenço (PR), teria chamado a jornalista Débora Louise Gardin, de 26 anos, de “sapatão sem vergonha, que usa entorpecente e que pega as menininhas na calada da noite”, embora em um trecho de gravação feito em 21 de janeiro não haja citação expressa do nome de Débora.


Segundo a nota, o vereador, que é de Porto Murtinho, “utilizou do subterfúgio de emitir seus impropérios em uma rádio localizada no Paraguai, sobre a qual, naturalmente, a Constituição e as leis brasileiras que tratam dos crimes contra a honra não possuem abrangência, deixando impotentes as autoridades do país”.


Confira a nota na íntegra:


“NOTA DE REPÚDIO


A Diretoria Executiva e a Comissão de Ética do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso do Sul (SindJor-MS) manifestam veemente repúdio à atitude do vereador e radialista Edicarlos Lourenço, filiado ao PR, atuante na região de Porto Murtinho (MS). Ele agrediu verbalmente de forma caluniosa e ofensiva a jornalista diplomada Débora Louise Gardin, com declarações de caráter homofóbico. Para tanto, utilizou do subterfúgio de emitir seus impropérios em uma rádio localizada no Paraguai, sobre a qual, naturalmente, a Constituição e as leis brasileiras que tratam dos crimes contra a honra não possuem abrangência, deixando impotentes as autoridades do país. As gravações com o conteúdo ofensivo foram enviadas ao SindJor-MS no início desta semana


Não apenas por se tratar de uma profissional amparada por este sindicato no que se refere à territorialidade, mas, principalmente, pelo fato do SindJor-MS ser uma entidade da sociedade civil em diálogo com organizações que militam na área dos direitos humanos, é que se faz necessário este manifesto público. O sindicato é fervoroso defensor da liberdade de expressão como valor sagrado e basilar para a democracia. Sua história como protagonista de movimentos pela democratização da comunicação comprova essa inapelável posição. No entanto, ao mesmo tempo, o SindJor-MS zela pela ética no exercício da comunicação social por compreendê-la como uma poderosa atividade capaz de transformar positiva ou negativamente bairros, cidades, estados, países e o planeta, além das pessoas.


Por essas razões, o sindicato não pode se calar diante de um desrespeito à dignidade de uma cidadã e profissional da imprensa, com requintes de preconceito da mais baixa estirpe. Convém evocar a Convenção Interamericana dos Direitos Humanos, da qual Brasil e Paraguai são signatários, portanto suas determinações válidas como fundamento jurídico. Diz o texto, no seu artigo 13º, que o exercício da liberdade de expressão não pode estar sujeito à censura prévia, mas a “responsabilidades ulteriores, que devem ser expressamente previstas em lei e que se façam necessárias para assegurar o respeito dos direitos e da reputação das demais pessoas”. Portanto, é inconcebível que, em pleno século 21, após inúmeras mudanças de valores e momentos em que o ódio, a intolerância e a discriminação sexual escreveram páginas lamentáveis na trajetória da humanidade, episódios como esse ainda sujem nosso cotidiano.


DIRETORIA EXECUTIVA E COMISSÃO DE ÉTICA


SINDICATO DOS JORNALISTAS PROFISSIONAIS”

Jornal Midiamax