Política

Puccinelli ignora demissões em massa na CGR

Governador garantiu também que se a CGR não se recuperar vai entregar as obras da empresa para as segundas colocadas nas licitações

Arquivo Publicado em 21/12/2011, às 19h51

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Governador garantiu também que se a CGR não se recuperar vai entregar as obras da empresa para as segundas colocadas nas licitações

Em coletiva à imprensa na manhã desta quarta-feira, o governador Puccinelli foi questionado pelos jornalistas sobre o caso CGR – a maior empreiteira do MS que anunciou, ontem, ter entrado na justiça com um pedido de recuperação judicial.



Um dos pontos mais delicados da entrevista ocorreu quando o governador declarou que a CGR ainda tem dinheiro a receber porque o governo segura pagamentos de serviços realizados – as medições.



“Todas as empresas que trabalham eu sempre deixo duas medições, então eles têm pra receber. Na terceria medição se paga a primeira, na quarta a segunda, na quinta a terceira”.



Quando questionado se isso não prejudicaria os funcionários demitidos, o governador Puccinelli foi áspero: “Isso não é problema meu”.



O governador foi evasivo na maioria das respostas. Quando perguntado sobre quantos contratos o governo do estado tem com a CGR Engenharia, cujas obras estão interrompidos depois da demissão em massa de 400 trabalhadores, Puccinelli se limitou a dizer: “Eu não sei”.



Em outro ponto controverso da entrevista, Puccinelli afirmou que a empresa continuaria executando suas obras, mesmo depois das demissões, porque não está fazendo pagamentos depois do pedido de recuperação judicial.



“Tem que perguntar pra CGR o que é recuperação judicial. Eu acho que vai facilitar, porque não estão pagando outras coisas e vão executar obra”, garantiu Puccinelli. Ninguém entendeu.



Por fim, depois de indagado sobre a possibilidade da empreiteira não se recuperar judicialmente, Puccinelli afirmou que as obras serão repassadas. 



“Cumpre a lei! A vencedora da licitação tem que executar a obra até o final. Quebrou e não obteve recuperação, você pega o segundo e o convoca para executar até o final”.



Trabalhadores desconsolados com demissões



A postura do governador, que retêm pagamentos às empreiteiras, contrasta diretamente com a situação dos trabalhadores demitidos pela direção da CGR.



A reportagem esteve no Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Pesada onde cerca de 40 trabalhadores assinavam a sua rescisão. Todos eles receberam apenas o FGTS, e sem a multa legal de 40%. Só daqui a 60 dias é que a empresa vai apresentar um cronograma de pagamentos de salários, férias, 13º e outros direitos trabalhistas. Mas não se sabe quando.



Eles portavam um documento com essa ressalva, assinado apenas pela direção do sindicato, apesar da presença de dois advogados da CGR.
Jornal Midiamax