Política

Desconforto entre vereadores marca votação de veto à “emenda do barulho”

Por unanimidade, Câmara de Campo Grande mantêm veto do executivo para favorecer entendimento pela realização de shows na Expogrande 2011. Mas vereadores ficaram preocupados com a repercussão negativa da votação

Arquivo Publicado em 10/03/2011, às 19h11

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Por unanimidade, Câmara de Campo Grande mantêm veto do executivo para favorecer entendimento pela realização de shows na Expogrande 2011. Mas vereadores ficaram preocupados com a repercussão negativa da votação

Embora a maioria da Câmara de Campo Grande tenha votado pela manutenção do veto à “emenda do barulho”, vários vereadores – tanto da base aliada como da oposição – demonstraram desconforto ao derrubar uma proposta que eles próprios haviam aprovado por unanimidade e em regime de urgência, há um mês.


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Dr. Loester (PDT), um dos que voltaram atrás para fulminar a emenda, rejeitou o ônus da contradição e disse que votou com consciência tranquila, pensando em benefício da população. O pedetista afirmou que boa parte do problema não passava de picuinha. “As briguinhas entre eles recaem na gente, e a Câmara acaba ficando como caixa de ressonância. É coisa de criança”, disparou.


O democrata Airton Saraiva argumentou que a elaboração da emenda em fevereiro foi um ato precipitado. “Se a questão era política e não jurídica, não havia necessidade de emenda, mas sim de diálogo. Jogaram a bomba no nosso colo, nos deixaram de saia justa”, afirmou.


João Rocha (PSDB) demonstrou preocupação com a imagem do legislativo para a opinião pública. “Nos chamaram para fazer um projeto que iria resolver o impasse. Agora temos de vetá-lo para poder resolver. Como ficarão os vereadores perante a sociedade?”, questionou.


Carlão (PSB), um dos autores da “emenda do barulho”, não votou mas presidiu parte da sessão em substituição a Paulo Siufi (PMDB), que precisou se ausentar por problemas familiares. O socialista disse respeitar a opinião dos colegas contrários à proposta e acredita na hipótese de “desavença pessoal” entre a Acrissul e o Ministério Público Estadual. “Não fizemos o projeto para afrontar ninguém, mas para resolver o problema. Vieram até a Câmara, encheram o plenário com faixas e cartazes. A Câmara teve de dar uma resposta a isso”, disse.


Para Athayde Nery (PPS), o rompimento do diálogo entre as partes fez com que a Câmara tomasse parte no debate. Ele avalia que o entendimento só ocorreu depois de o legislativo ter mediado o conflito. “Antes ninguém pensava em fazer acordo. Agora, todo mundo cedeu um pouco e os shows na Expogrande 2011 estão garantidos”, disse.


O petista Marcos Alex tentou atribuir parte da responsabilidade pela demora nas negociações, que duraram mais de um mês, ao prefeito Nelsinho Trad (PMDB). “Faltou a mão e o empenho do prefeito em buscar o entendimento”, disse. Em aparte, Vanderlei Cabeludo (PMDB) saiu em defesa e sustentou que o prefeito participou de inúmeras reuniões, incluindo a mais recente, mediada pelo desembargador Sideni Soncini Pimentel no dia 1º de março, e que sinalizou um acordo entre as partes.


Thais Helena (PT) manifestou indignação e perplexidade por votar pela manutenção do veto ao projeto que havia sido aprovado por unanimidade. “É um peso muito grande nas costas dos vereadores”, reagiu.

Jornal Midiamax