Política

Bloco de oposição na Assembleia Legislativa naufraga antes de ser criado

Grupo suprapartidário seria formado por oito parlamentares; deputado petista diz que intenção foi desfeita por uma manobra articulada "de quinta-feira para cá"

Arquivo Publicado em 22/03/2011, às 14h23

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Grupo suprapartidário seria formado por oito parlamentares; deputado petista diz que intenção foi desfeita por uma manobra articulada “de quinta-feira para cá”

O tal bloco suprapartidário, grupo que faria oposição na Assembleia ao governo de André Puccinelli (PMDB), negociado desde o início desta legislatura por pelo menos oito parlamentares, é um plano que morreu ainda no papel.

“Na atual conjuntura política, o bloco não sai”, disse Pedro Kemp (PT), um dos articuladores do já chamado natimorto blocão. Paulo Duarte, outro petista, sustenta que a ala suprapartidária morreu por força de uma manobra imposta de quinta-feira passada para cá. “A tarantela atravessou o samba do bloco”, disse Duarte em referência à suposta atuação do governo para dissolver a articulação.


Os membros do pensado blocão se reuniram na quinta-feira passada, quando ficou acertado que o comando do grupo ficaria primeiro nas mãos de Pedro Kemp, depois seria chefiado por Cabo Almi e Laerte Tetila, em sistema de rodízio.

De lá para cá, seis dois oito parlamentares assinaram um requerimento que oficializaria a criação do bloco. Davi e o deputado Cabo Almi, do PT, contudo, não assinaram a papelada.

A justificativa de Almi: ele disse que ficou o fim de semana aguardando o requerimento, mas ninguém o procurou. “Senti-me desprezado”, afirmou.

O petista brigava pelo comando do bloco, mas sua intenção foi rechaçada pelos deputados Paulo Duarte e Pedro Kemp. Com a discórdia, Cabo Almi resolveu abrir mão de seu desejo em prol da existência da unidade suprapartidária.

Já a explicação de Lauro Davi é a que mais desanima os articuladores da ala suprapartidária. O parlamentar disse que tem sido pressionado por sua base a não compor o bloco que, para ele, tem “caráter oposicionista”.

Davi era chefe da Cassems, órgão que funciona sob a influência do governo estadual, e ainda elegeu-se deputado na aliança de Puccinelli. Ele na composição poderia ser enxergado como um traidor.

Outra justificativa do deputado: a adesão dos partidos pequenos ao bloco teria como objetivo “conquistar espaço interno” na Assembleia. A proximidade com o PT emprestaria um caráter oposicionista que Davi sempre rejeitou.

Até a manhã desta terça-feira (22), Davi dizia que “precisava de um tempo” para ver se assina ou não o requerimento que valida bloco. Na prática, assim se encerra a discussão pela criação do bloco. Detalhe: a papelada está guardada a sete chaves em seu gabinete.


(matéria atualizada às 13h15)

Jornal Midiamax