Política

Passagem emitida por prefeitura para pistoleiro que matou vereador pode revelar mandante

Uma requisição de passagem para o pistoleiro confesso do vereador de Alcinópolis Carlos Antônio Carneiro pode ser peça-chave para desvendar quem mandou matar o parlamentar em Campo Grande.

Arquivo Publicado em 13/12/2010, às 20h55

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Uma requisição de passagem para o pistoleiro confesso do vereador de Alcinópolis Carlos Antônio Carneiro pode ser peça-chave para desvendar quem mandou matar o parlamentar em Campo Grande.

A descoberta de uma requisição de passagem para o pistoleiro confesso do vereador de Alcinópolis Carlos Antônio Carneiro pode ser uma peça-chave para desvendar quem é o mandante do crime, inicialmente apontado pela família como sendo o prefeito da cidade Manoel Nunes.

A requisição de número 00889, emitida em 10 de outubro deste ano, está em nome de Ireneu Maciel, o homem que foi visto por policiais da Diretoria Geral da Polícia Civil (DGPC) atirando contra o vereador, no dia 26 de outubro passado, na Avenida Afonso Pena, em frente ao Hotel Vale Verde, em Campo Grande.

A autorização, no valor de R$ 30,00, que agora ganhou peso de documento nas mãos da delegada que comanda as investigações, dava direito de o pistoleiro embarcar na Viação Água Branca no percurso Alcinópolis/Coxim.

A requisição em nome da prefeitura Municipal de Alcinópolis recebeu carimbo e assinatura da assistente social Lidiane Miruci da Silva.

O “documento” foi apresentado para a imprensa pela família do vereador nesta segunda-feira e também pelo advogado que os representa, Ricardo Trad.

O pai de Carlos Antônio que também é vice-prefeito de Alcinópolis, Alcino Carneiro afirmou à reportagem que a assistente social já prestou depoimento para a delegada a 1ª DP de Campo Grande, Rozeman Geise Rodrigues de Paula.

Questionado sobre como a família conseguiu o documento, Alcino Carneiro disse que foi por meio de Alcir Gonçalves, um proprietário de escritório de compra de gado que afirma ter feito um “favor” para Ireneu, pois o mesmo chegou atrasado no dia do embarque e naquela noite só teria outro ônibus da Viação São Luiz e não da Viação Água Branca como autorizava a requisição.

Segundo Alcino, Ireneu pediu para que Alcir ficasse com sua passagem e em troca entregasse uma da São Luiz.

“O Alcir me disse que autorizou o rapaz que vende passagem, o Nivaldo Freitas, a dar a passagem, mas que recolhesse a requisição. Depois que aconteceu o assassinato todo mundo divulgou o nome do Ireneu e daí o Alcir se lembrou da requisição e chamou o meu filho que tem escritório ao lado do dele e mostrou. O Helder ligou para a delegada que solicitou o documento para constar no inquérito”, disse.

Alcino Carneiro afirma que a requisição original está com a delegada e ele fez uma cópia autenticada, no dia 17 de novembro.

A reportagem tentou localizar o prefeito Manoel Nunes para comentar sobre a requisição, mas ele não atendeu seu celular.

Com a descoberta da requisição, a família de Carlos Antônio acredita que ela pode ser de grande ajuda para desvendar quem foi o mandante do assassinato. Inclusive, o próprio Ireneu disse no dia do crime que já teria ido ao município de Alcinópolis ao menos duas vezes para executar o crime, mas que desistiu pelas difíceis condições de fuga.

Ameaças

Alcino Carneiro revela que depois do assassinato do filho tem percebido movimentações de pessoas estranhos. Inclusive, em certa oportunidade, dois motoqueiros o seguiram quando ele ia para seu sítio, na zona rural de Alcinópolis. “Eram dois, cada um numa moto. Uma era vermelha e a outra preta, mas não consegui identificar ninguém porque estavam de capacete”, lembra.

Ainda sobre os motoqueiros, Alcino Carneiro disse que percebeu a perseguição por vários quilômetros e então pediu para que o motorista acelerasse, mas os dois homens também fizeram o mesmo, ultrapassaram e fizeram cavalos de pau em frente ao carro que estava.

Depoimentos

Ireneu Maciel, Aparecido Souza Fernandes e Valdemir Vansan, os três homens apontados como responsáveis pela execução do vereador presidente da Câmara de Alcinópolis, Carlos Antônio Carneiro, serão ouvidos pelo juiz de Direito Aluízio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri, nesta terça-feira, dia 14 de dezembro, às 14.

Ainda no dia 14, no mesmo horário, serão ouvidas as testemunhas Marciana Maciel, Adenilso Malaquias Ferreira, Celso Moreira Silva e Dourivaldo da Conceição Canhete,bem como os policiais civis que presenciaram a movimentação dos pistoleiros no momento do crime, no dia 26 de outubro deste ano, nas proximidades do Hotel Vale Verde, em Campo Grande.


O pai do vereador que também é vice-prefeito de Alcinópolis, Alcino Carneiro, e a viúva de Carlos Antônio, Nara Simone Silva Carneiro serão ouvidos por meio de carta precatória via comarca de Coxim.


Jornal Midiamax