Política

Escolha do líder provoca nova crise no PDT da Capital

Executiva municipal indicou seu presidente Paulo Pedra para liderar o partido na Câmara; Loester Nunes não concorda e vai protestar

Arquivo Publicado em 01/02/2010, às 18h00

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Executiva municipal indicou seu presidente Paulo Pedra para liderar o partido na Câmara; Loester Nunes não concorda e vai protestar

A escolha do líder da bancada do PDT na Câmara de Campo Grande composta por apenas dois vereadores está prestes a se tornar uma guerra declarada entre os pedetistas Paulo Pedra e Loester Nunes. O primeiro foi escolhido pela Executiva Municipal do PDT da qual é presidente para ser o líder do partido neste ano. O segundo não aceita e promete protestar contra a escolha da sigla.

O assunto pode ganhar destaque no plenário da Câmara amanhã, dia 2 de fevereiro, quando os vereadores realizam a primeira sessão após o recesso parlamentar.

Líder no ano passado, Loester diz que não reconhece a liderança de Pedra porque, segundo ele, a escolha se deu de forma irregular. “Quem tem que escolher o líder é a bancada. Não pode ser uma imposição do partido”, argumenta.

Como não houve acordo entre os dois vereadores para a escolha do líder neste ano, o partido convocou uma reunião no dia 28 de janeiro para discutir o assunto a qual, mesmo convidado, Loester não compareceu.

“Não é assim, o partido não tem esta prerrogativa. A decisão teria que sair da bancada. No nosso caso de fato não haveria consenso. O Pedra votaria nele mesmo e eu votaria em mim. O critério de desempate seria a idade. Como eu sou mais velho que ele, a liderança caberia a mim”, afirma, dizendo ter buscado embasamento no Regimento Interno da Câmara.

Pedra discorda. Ele também invoca o Regimento da Câmara e o estatuto do PDT para defender o procedimento do partido na escolha do líder.

“O regimento interno da Câmara é claro neste aspecto. Quando não há consenso quem indica é o partido, mesmo porque o líder faz parte da Executiva da sigla. Já o artigo 101 do estatuto do PDT diz que o líder é porta voz de uma representação partidária. Portanto, não há dúvidas de que o partido tenha o direito de escolher”, argumenta.

O vereador revela que está preparado para enfrentar o colega se necessário for. “Vou apresentar uma carta do PDT me encaminhando para a liderança. Ele tem o direito de espernear (…) Se não está satisfeito que procure a instância superior do partido”, sugere.

Loester promete se manifestar em plenário contra a escolha de Pedra. Ele deve dizer que não se submeterá à liderança do colega de partido.

Mágoas com eleição da varanda

Loester antecedeu Pedra tanto na liderança do PDT na Câmara quanto na presidência municipal do partido. Ele informa ter ignorado a reunião por não reconhecer a atual Executiva, eleita em agosto do ano passado na varanda da sede do diretório regional do partido, no Jardim São Bento, em Campo Grande.

Na ocasião, o partido era presidido por Loester que chegou a cancelar as eleições internas no dia anterior à sua realização, alegando quebra de acordo. Porém, o grupo de Pedra não atendeu ao cancelamento e realizou a convenção municipal na varanda do diretório.

A briga entre os grupos de Pedra e Loester pelo comando do PDT da Capital teve como pano de fundo as eleições de outubro. Pedra ligado ao deputado federal Dagoberto Nogueira queria levar o partido à aliança com o PT, objetivo que alcançou. Tanto que Dagoberto deve concorrer ao Senado na chapa de Zeca do PT.

Já Loester ligado ao deputado estadual Ary Rigo, então presidente regional da legenda, tinha preferência pela aliança com o PMDB do governador André Puccinelli.

A eleição na varanda acirrou a briga entre os dois grupos. Rigo se recusou a homologar o resultado da convenção municipal. A disputa interna acabou com a deposição de Rigo da presidência da legenda. Pouco depois, ele se desfiliou levando consigo outros dois deputados estaduais Onevan de Matos e Ivan de Almeida.

Agora, além de rejeitar a liderança de Pedra na Câmara, Loester se prepara ainda para concorrer à presidência do Diretório Regional do PDT. As eleições, segundo o presidente provisório do partido, João Leite Schimidt, devem ser realizadas em abril. Loestes está montando uma chapa para concorrer.

Se vencer, ele tentará mudar o rumo eleitoral do PDT no Estado.

Jornal Midiamax