Política

Documento oficial de plenária da CNB sugere bloco de oposição ao governo de Puccinelli

Petistas avaliam que governador reeleito deve enfrentar “imensa dificuldade de relação com a presidente Dilma Rousseff”

Arquivo Publicado em 18/12/2010, às 20h24

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Petistas avaliam que governador reeleito deve enfrentar “imensa dificuldade de relação com a presidente Dilma Rousseff”

Documento oficial de plenária do Partido dos Trabalhadores organizado pelas correntes internas CNB (Construindo Um Novo Brasil) e Articulação de Esquerda sugere que o PT deve liderar “um bloco de oposição consistente e firme ao governo conservador de André Puccinelli [PMDB]”, agregando PDT, PCdoB, PV, PP e PSL. Os partidos se uniram nas eleições deste ano em chapa encabeçada por Zeca do PT.

As duas correntes que tem como principais lideranças o próprio Zeca, pela CNB, e o deputado estadual Pedro Kemp, pela Articulação de Esquerda, querem dar seqüência ao embate político eleitoral travado nestas eleições contra o governador. Para isso, os petistas propõem a elaboração de uma agenda política e programática que combine ações parlamentares, fortalecimento partidário e mobilização social.

PT, PDT, PP e PSL elegerem deputados estaduais em outubro. O PT fez quatro Pedro Kemp, Paulo Duarte, Cabo Almi e Laerte Tetila. O PDT elegeu Felipe Orro. O PP está na Assembleia com Alcides Bernal e o PSL com George Takimoto. O documento cita que não considera derrotada a campanha de Zeca do PT que não conseguiu impedir a reeleição de Puccinelli, mas obteve mais de meio milhão de votos e ajudou a eleger deputados estaduais federais e ainda reeleger um senador.

A plenária que originou o documento foi realizada no dia 11 de dezembro, em Campo Grande, e teve dois temas em pauta, o balanço das eleições gerais 2010 e os desafios do PT para o próximo período. “O resultado das eleições reafirmou dois pólos da política sul-mato-grossense. O governador lidera o polo conservador e retrógrado expressos principalmente pelo PMDB/PSDB/DEM/PR”, diz o documento.

Desgaste e dificuldade com Dilma

A avaliação das duas correntes é de que Puccinelli começará seu segundo governo desgastado moralmente devido às denúncias de corrupção. O governador foi citado pelo deputado Ary Rigo, em vídeo gravado sem que ele soubesse, como beneficiário de R$ 2 milhões por mês em recursos que sobravam do duodécimo da Assembleia. Puccinelli nega envolvimento.

Outro ponto fraco do governo do peemedebista, segundo documento do PT, são as disputas internas entre as “várias lideranças ávidas a sucedê-lo”. Além disso, conforme o documento, falta a Puccinelli uma agenda política de desenvolvimento.

O governo de Puccinelli deve, na avaliação dos petistas, enfrentar “imensa dificuldade de relação com a presidente Dilma Rousseff”. Puccinelli que chegou a apelidar a petista de “fada madrinha” de Mato Grosso do Sul apoiou o adversário dela, o tucano José Serra na disputa pela presidência, e permanece distanciado.

Eleições de 2012 e 2014

O documento sugere também que o PT e seus aliados devem se preparar para apresentar candidaturas a prefeito em 2012 em todos os municípios, com destaque para a disputa de Campo Grande que representa um terço do eleitorado do estado. “Esta estratégia permitirá acumular forças para que, em 2014, estejamos em condições melhores para disputar o executivo estadual e a Assembleia Legislativa derrotando o polo conservador em torno do PMDB, PSDB e DEM”, afirma o texto.

O documento incentiva petistas e aliados a cobrarem esclarecimentos sobre os escândalos de corrupção evolvendo membros dos três poderes do Estado e trata ainda da disputa por cargos federais em Mato Grosso do Sul e das eleições em Dourados. Confira na íntegra clicando aqui.

Jornal Midiamax