Uma briga familiar teria motivado o soco no rosto de um advogado, de 27 anos, em uma academia localizada nas proximidades da Avenida Afonso Pena, em Campo Grande, no início da manhã dessa segunda-feira (24). O suspeito da agressão seria um policial penal, ex-cunhado do advogado. 

O ex-cunhado seria réu em um processo por violência doméstica, pois ele teria agredido a irmã do advogado, há quase 1 ano, com quem se relacionou por 12 anos e teve dois filhos. Ao Jornal Midiamax, o advogado explicou que o homem possui histórico de agressão, inclusive cometido contra familiares recentemente. 

No início da manhã de segunda (24), a vítima estava na academia, quando teria sido surpreendida pelo ex-cunhado que teria tirado satisfações do processo de violência doméstica, ignorou, mas foi agredida com soco no rosto. Conforme boletim de ocorrência, homem ainda partiu para mais agressões, mas foi contido por outros alunos da academia.

Após a separação da briga, o agressor teria ainda questionado e ameaçado a vítima, alegando que o que havia sido relatado no processo pelo advogado eram mentiras e que “isso não ia ficar assim”.

“Eu estava na academia, quando ele veio me cutucando e perguntando sobre o processo. Eu falei ‘aqui não é lugar para falar de processo e não tenho nada para falar com você’ e nisso ele já veio me dar um soco. Na hora senti muita dor, corri lá na frente da academia e peguei uma cadeira, enquanto ele estava correndo e o pessoal atrás para tentar segurá-lo”, relata o advogado.

“Eu atuo como profissional e claro que iria pegar o caso, por ser irmão dela. E ele não aceita que eu seja o advogado da minha irmã”, acrescentou. 

Temendo pela sua vida e segurança devido ao histórico de agressão que o ex-cunhado possui, além do mesmo ser policial penal e ter armas em casa, o advogado explica que pretende mover uma ação de danos contra o homem. “Não estou conseguindo ir ao fórum, terei que passar todas as diligências para os meus colegas, não consigo ir às audiências, pois estou com o olho roxo”, diz a vítima. 

Ainda de acordo com o advogado, a OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso do Sul) já tomou as devidas providências, o acompanhou na delegacia para registrar o caso e aguarda respostas. 

Câmeras de segurança registraram a suposta agressão e as imagens serão utilizadas na investigação. O caso foi registrado na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Centro 

Ex-cunhado policial nega agressão 

O ex-cunhado, por sua vez, nega a agressão na academia e diz que o advogado é quem estava o perseguindo. Além disso, ele nega as agressões nas quais teria sido acusado, inclusive contra familiares. 

“1 – Quem apareceu me perseguindo numa academia nova foi ele. Ele nem matrícula tem naquela academia. Eu malho naquela academia há anos e estava sentado, malhando quando ele chegou na minha frente e começou a rir e me difamar no local. 2 – Relatos de agressão são todos falsos, não existe B.O de agressão meu contra ninguém, muito menos contra familiares. O que existe são processos montados de tal forma para que eu não tenha defesa ou que a mesma não seja analisada pelo tema das acusações e sempre, sem provas”, disse ao Jornal Midiamax.

O homem – também formado em direito -, ainda afirma que o caso é uma falta de ética e que a OAB/MS deve analisar a conduta de seus filiados.

“3- falta de ética do escritório inteiro: Cheguei a pedir ao chefe deles, em uma audiência de conciliação no processo de guarda o que almoça e tenta combinar resultados dos casos fora dos autos com pessoas influentes (conforme áudio-fatos confirmados por esse advogado que trabalha com a mentira, Junior) para que ele orientasse sua cliente melhor e que não se aproveitasse do dinheiro dela para patrocinar uma vingança movida a motivos espúrios, e destruir minha relação com meus filhos.  Como de costume, esse dito advogado alegou que eu tentei o agredir na mesma ocasião, usando novamente da mentira descarada, fato que ocorreu na frente de uma juíza mediadora e que não possui nada em ata sobre o fato inventado. 

Eles não tem limites, contar todas suas mentiras nos processos contra mim é como contar os grãos da areia do mar. O mais recente caso foi Quando injuriaram e ameaçaram a Roberta, Mãe de uma filha, minha namorada, durante uma entrega de meus filhos no dia das mães, por motivo fútil, um atraso de 30 minutos.

Foi feito um B.O de injúria e ameaça contra esse nobre advogado, O advogado Juninho, responsável pelos mais condenáveis atos desse dia, em frente aos meus filhos.  Ao se defender novamente usaram o nome de minha mãe, para ganharem confiança dos policiais e novamente conseguiram emendar mais uma falsa acusação, de porte ilegal de arma de fogo, sem provas. E estou respondendo a mais uma acusação falsa.

4 – essa ida dele para me provocar num local que era sabido por ele que eu frequento, configura perseguição, a difamação na minha frente junto com a ameaça que me fez ao tentar conversar com ele infelizmente acabou em uma atitude de uma pessoa que não tem mais ao que recorrer para encontrar um lugar seguro”, acrescentou o suspeito.

Em vista do suspeito ser policial penal, o Jornal Midiamax entrou em contato com a Agepen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) acerca dos fatos e foi informado que “Existe uma apuração preliminar contra a conduta do servidor em curso, assim como as imagens do circuito interno de TV da academia já se encontram em posse da Corregedoria da Agepen. O servidor não possui porte de arma institucional e exerce serviços administrativos”.

OAB vai acompanhar o caso

Em nota, a OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso do Sul) divulgou na segunda-feira (24) que esteve presente na delegacia e vai acompanhar os desdobramentos do caso. Veja a publicação na íntegra:

“A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul, diante das notícias veiculadas nesta data, noticiando agressões sofridas por um advogado nas dependências de uma academia de musculação em razão de atividade profissional exercida em um processo judicial, vem a público informar que a Comissão de Defesa e Assistência de Prerrogativas dos Advogados (CDA) esteve presente na Delegacia acompanhando o advogado agredido e prestando a devida assistência.

A Seccional informa ainda que adotará todas as medidas necessárias para resguardar o livre exercício profissional da advocacia, bem assim que repudia a inadmissível agressão de um advogado em razão de sua atividade profissional.”

Confira o vídeo da agressão:

(Reprodução, @vintecg)

**Atualizada às 16h32 para acréscimo de posicionamento.