Douglas Bronze Camargo, de 38 anos, acusado de matar a tiros Wander de Oliveira, de 45 anos, em um condomínio residencial do bairro Jardim Campo Nobre, afirmou ao Plenário do Tribunal do Júri, na manhã desta quarta-feira (12), que recebeu autorização divina para efetuar dois disparos na boca da vítima. O caso ocorreu em outubro de 2019, após um discussão entre Douglas e Wander na área de lazer do condomínio.

O réu, que era morador e segurança do condomínio, responde por homicídio qualificado por recurso que dificultou a defesa da vítima e também por porte de arma de fogo e munições sem autorização legal. Em depoimento nesta manhã, disse que Wander causava arruaça entre os moradores do residencial.

“Eu falei para ele aqui você não vai fazer criança usar droga, não vai ficar ‘mijando’ na frente de mulher. Não vai ficar fazendo sua lei”, afirmou. Antes desse diálogo e após a primeira discussão, Douglas subiu no apartamento dele e pegou uma arma de fogo. Depois, retornou à área de lazer onde Wander estava para “fazer ele recuar do condomínio”.

O réu diz, ainda, que abaixou a arma e, com o dedo fora do gatilho, mandou Wander deixar o local. “Eu disse para ele que nunca tinha coragem de matá-lo, mas que ele saísse pelo portão que você entrou”.

Douglas afirma, ainda, que Wander debochava da cara dele. “Ele ria e dava passos largos na minha direção. Eu dei dois passos para trás. Ele ria e dava passos largos. Eu dei mais passos para trás e ele me seguiu. Eu disse que se ele não me respeitasse iria levar”.

Foi, então, que ele afirma ter recebido a ‘autorização divina’ para disparar contra a vítima. “Psicologicamente, mentalmente, espiritualmente eu pedi ‘Senhor me dá permissão’ e eu recebi a autorização do meu coração”, afirmou o réu, que diz ser muito religioso.

A denúncia realizada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) aponta, ainda, Douglas desferiu coronhadas e chutes na vítima já caída após efetuar os disparos. “O positivo com negativo é que, com muita tristeza, tive que fazer o término do início do fato”, conta.

Relembre

Douglas Bronze fugiu do local após o crime e respondeu o processo em liberdade. Na data dos fatos, 05 de outubro de 2019, à Polícia Militar que atendeu a ocorrência, uma outra moradora do condomínio contou que a discussão iniciou porque Wander tentava induzir um adolescente a usar drogas.

A condômina conta que deixou a área de lazer e retornou após escutar os disparos. Foi ela quem acionou o (Samu) Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, que levou Wander até a Santa Casa, onde ficou entubado antes de morrer.