Policiais envolvidos em esquema de tráfico de drogas que terminou em confronto com policiais do Batalhão de Choque e duas pessoas mortas, entre eles um policial militar envolvido no crime, já foram homenageados por ato de bravura, por salvar pessoas, sendo elas um casal de afogamento e três crianças em uma casa em chamas.

A defesa do policial preso chegou a usar a homenagem como argumento para pedir liberdade, porém a solicitação foi negada pela juíza.

Reprodução Redes Sociais

O cabo da PM Almir Figueiredo Barros Júnior, morto em confronto na ocorrência contra uma quadrilha que traficava drogas, foi tido como ‘herói’ em 2021 após salvar a vida de um casal quando estava de férias nas praias do Rio de Janeiro. 

Uma página nas redes sociais, que tem como foco engrandecer o trabalho da polícia, postou na época que Almir era ‘Herói da PM’ por, mesmo estando de folga, não ter deixado de agir. 

Quando percebeu que o casal de chilenos havia entrado no mar e não conseguia sair, o militar entrou na água e salvou o homem e a mulher. 

“Parabéns ao policial que, mesmo de férias, não mediu esforços para atender quem precisava. Que Deus o ilumine e continue usando-o para fazer o bem”, diz a publicação.

Sargento homenageado pela Câmara Municipal em 2021.

Já o sargento preso na mesma ocorrência de tráfico de drogas, foi homenageado por ato de bravura no mesmo ano na Câmara Municipal de Campo Grande por salvar três crianças de uma casa em chamas no jardim Monte Alegre.

“Fui impulsionado pela lembrança dos meus filhos e, mesmo sem ter treinamento específico para esse tipo de ocorrência, pulei o muro junto com meu colega e arrombei primeiro o portão e aí quando eu arrombei a porta já veio aquela fumaça preta. Nós seguimos o som das crianças chorando, porque não enxergava nada lá dentro, e para a nossa surpresa eram três crianças e não duas”, relembrou o sargento na época. 

A defesa do sargento chegou a entrar com pedido de liberdade argumentando que as várias homenagens do PM e que ele está há 26 anos na corporação, mas a juíza não acatou e manteve a prisão. “A gravidade da conduta do autuado se eleva sobremaneira, ante seu dever de preservação da ordem pública, e portanto sua inobservância, assim como o ferimento a preceitos morais e éticos vinculados à conduta do policial militar, importam até mesmo na indignidade do cargo.”

Quadrilha organizada

O comandante do Batalhão de Choque, Rigoberto Rocha, em coletiva de imprensa sobre o caso na manhã desta segunda-feira (24), informou que a organização da quadrilha era tamanha que conseguiram cooptar policiais para fazer parte do grupo. A droga estava muito bem embalada para que não estragasse. A maconha estava em embalagens com a escrita ‘oferta’. 

Rocha ainda disse que a ação foi em conformidade e que não havia a informação de que os envolvidos na quadrilha eram policiais. Um sargento da PM acabou preso e teve o pedido de liberdade negado em audiência de custódia neste fim de semana.

O comandante-geral da PMMS, coronel Renato Anjos Garnes, disse que o que aconteceu é para ‘servir de exemplo’ e que a equipe do Choque agiu de forma planejada e a ação estava em conformidade. Não havia a informação de que dois policiais estavam envolvidos na quadrilha.

(Divulgação PM)

Tráfico de drogas

Os policiais teriam sequestrado um caminhoneiro para roubar a carga de maconha, um total de 117 tabletes da droga.

De acordo com informações, os policiais do Choque receberam a denúncia de que uma carga de drogas estaria vindo para Campo Grande através da BR-262. Nisto, os militares fizeram vigilância na estrada para identificar os autores. A informação era que, assim que a carga de drogas entrasse na cidade, seria roubada por uma quadrilha rival. Assim, conforme apurado, a quadrilha sequestrou o motorista do caminhão.

Durante as diligências, os policiais observaram a aproximação de um caminhão Mercedes-benz 1113 azul, sendo seguido de perto por um Toyota Corolla, de cor prata. Os ocupantes do Corolla sinalizaram para que o motorista do caminhão estacionasse. Em seguida, com o caminhão estacionado na Rua Barra dos Bugres, o motorista foi levado a bordo de um veículo sedan, de cor branca. 

O caminhão deixou o local escoltado pelo Corolla. Assim, a quadrilha se deslocou para uma chácara na Rua Claudio Augusto, na Vila Romana, e em seguida os integrantes iniciaram um suposto conserto na estrutura do caminhão – cortando uma chapa metálica.

Neste momento, os integrantes da quadrilha notaram a presença da polícia e os suspeitos – cinco ao todo – fugiram em direção a um imóvel. Dois fugitivos acabaram interceptados pelo cerco policial e, em seguida, ocorreu a troca de tiros. No local, morreram o policial militar Almir Figueiredo Barros Júnior e Jorcinei Junior Sabala Gil da Silva.  

Outros integrantes fugiram, entre eles, o sargento da PM que acabou preso na rodovia. O outro comparsa conseguiu fugir. No caminhão estavam escondidos 117 tabletes de maconha, sendo 58 tabletes no compartimento do caminhão e outros 59 tabletes localizados no interior do pneu do estepe.