Há mais de um ano, a Justiça tenta encontrar o motorista, de 27 anos, que matou a médica Anne Carolline de Barros, de 25 anos, na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande. Isso porque antes do acidente que vitimou a médica, o rapaz já era réu por outro sinistro, ocorrido também na Capital sul-mato-grossense, em 2022. 

O processo movido pela vítima, um motociclista de 25 anos, descreve que o motorista do Classic – que na época estava em um Volkswagen Gol – invadiu a preferencial na Travessa Paraopeba, na região do bairro Aero Rancho, cruzamento com a Rua Clevelândia, e ocorreu a colisão.

A vítima do acidente mais antigo, inclusive, pede indenização pelos danos morais e corporais o valor não inferior 100 salários mínimos, indenização pelos danos estéticos, no valor mínimo de 50 salários mínimos e parcela única do pensionamento vitalício.

Local onde ocorreu o acidente em 2022 – (Foto: Reprodução)

A defesa do motociclista já forneceu vários endereços do réu, inclusive em Londrina, no estado do Paraná, porém, ele nunca foi encontrado, sendo que todas as intimações acabaram retornando ao Poder Judiciário. 

O juiz da 4ª Vara Cível da Comarca de Campo Grande agendou uma audiência de conciliação entre as partes para 8 de março de 2023, sendo que tentou intimar o motorista do Gol no mês de fevereiro. Contudo, a intimação foi devolvida ao Judiciário e o motorista não compareceu à audiência. 

Outra audiência foi marcada para 15 de maio do mesmo ano, a qual o réu também faltou, pois não foi possível intimá-lo. Posteriormente, o oficial de justiça foi em outros dois endereços que aparentemente seriam locais de trabalho que o motorista poderia estar, porém, foi informado que ele foi desligado há um tempo. 

No mês de dezembro do ano passado, a defesa da vítima do acidente pediu novamente a citação do réu, apresentando a Justiça outros três endereços, sendo um deles o de Londrina. Um oficial de justiça foi até o local, mas a intimação foi devolvida mais uma vez por motivo desconhecido, conforme trecho da ação judicial. 

Em janeiro deste ano, foi realizada uma nova tentativa de intimação, assim como nos meses de março, abril e maio, mas sem sucesso. 

Na terça-feira (18), dois dias após o acidente que vitimou Anne Carolline na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande, foi renovado o mandado de citação para intimar o motorista. 

E na tarde desta quarta (19), a Justiça expediu uma carta precatória ao Poder Judiciário de Londrina se manifeste sobre a ação cível.

Acidente que matou médica na Avenida Afonso Pena

O acidente aconteceu por volta das 6 horas da manhã de domingo (16). O rapaz dirigia um carro modelo Classic, de cor preta, quando perdeu a direção e atingiu um poste de energia na Avenida Afonso Pena. O veículo, que era alugado, ficou com a frente totalmente danificada com o impacto e o poste, quebrado.

A médica Anne Carolline estava no banco do passageiro e foi socorrida em estado grave, sendo levada já intubada para a Santa Casa, onde passou por protocolo de morte encefálica no mesmo dia. No início da tarde de segunda-feira (17), ela não resistiu aos ferimentos e morreu.

Anne Carolline era recém formada em medicina. (Reprodução, Facebook)

O motorista também foi socorrido e, segundo informações, ele disse aos policiais que não se lembrava de nada do acidente, só de estar no hospital. A resposta veio após ser questionado sobre a ingestão de bebidas alcoólicas antes de dirigir. O casal estava em uma festa antes do acidente e uma garrafa de whisky foi encontrada no assoalho do carro.

Ainda de acordo com informações, foi possível averiguar através de vídeo das câmeras de monitoramento que o veículo era conduzido pela Avenida Afonso Pena e sem qualquer tipo de obstáculo, em uma curva, sofreu desvio direcional, momento em que sobe na calçada e bate contra o poste.

Não foi notado marcas de frenagens, apenas averiguado que, com o impacto, a parte traseira do veículo sofreu deslocamento e ficou parado como se o carro estivesse em trânsito pela Rua Terenos. 

Já no hospital, o rapaz se recusou a fazer o teste do bafômetro, dizendo que “não iria fazer nenhum teste enquanto estivesse ali”.

Testemunhas prestam depoimento sobre acidente na Afonso Pena

Testemunhas do acidente que vitimou a médica, na Avenida Afonso Pena, em Campo Grande, começaram a ser ouvidas pela polícia da Capital.

Após a constatação da morte de Anne Carolline, a delegacia também alterou a tipificação do crime ao motorista. Anteriormente tratado como lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, agora, o motorista do carro poderá responder por homicídio culposo na direção de veículo automotor.

Ainda não há informações sobre a localização do motorista e o caso segue em investigação.