Charles de Goes Junior, de 32 anos, que atropelou e matou Michelli Alves Custódio, na Avenida Fábio Zahran, em Campo Grande, na madrugada do dia 13 de outubro de 2022, foi condenado a 21 anos, 7 meses e 6 dias de prisão. Charles ainda era acusado de ferir outras três pessoas. 

Ele ocupou o banco dos réus no Tribunal do Júri nesta sexta-feira (21). O Conselho de Sentença condenou Charles pelo homicídio que vitimou Michelli, bem como a tentativa de homicídio que vitimou uma amiga de Michelli e lesão corporal praticada contra a passageira do carro conduzido por ele.

O amigo de Michelli, Victor Nunes Uchoa Cavalcanti, também foi ferido no acidente e ouvido por videoconferência durante o julgamento. Ao fim da sessão, o Júri absolveu Charles pelo crime em que era acusado em relação a Victor. 

Além dos 21 anos de prisão que deverão ser cumpridos em regime fechado, Charles foi condenado a pagar uma indenização de R$ 15 mil para os dependentes de Michelli, R$ 10 mil para a amiga dela e R$ 5 mil pela passageira do carro conduzido por ele. 

O Conselho de Sentença ainda determinou que os valores, por serem danos morais, devem ser “corrigidos monetariamente desde a data desta decisão, e com juros de mora de 1% ao mês, contados da data do crime”.

Charles disse que ‘naquele dia, queria apenas fazer ação social e crianças felizes’

Durante o julgamento, Charles alegou não ter tido nenhuma intenção de tirar a vida de ninguém na madrugada do dia 13 de outubro de 2022, dia em que ocorreu o fato.

Aos jurados, ele contou que, na tarde do dia anterior ao acidente, no dia 12 de outubro, trabalhou em uma ação social com crianças da Cidade de Deus. Depois, reuniu-se com a equipe da organização e decidiram acompanhar a uma partida de futebol durante a noite, já que eram membros de torcida organizada.

Durante a confraternização, contou ter ingerido cerveja, e, após o término do jogo, resolveu ir para a casa, mas antes, levaria uma amiga para a residência dela. Foi nesse percurso, já na Avenida Fábio Zahran, antes mesmo de deixar a amiga em casa, que o acidente ocorreu.

O amigo de Michelli, Victor Nunes Uchoa Cavalcanti, ouvido por videoconferência, narrou que o motorista perdeu o controle do veículo e atingiu ele, Michelli e mais uma amiga deles. As duas mulheres foram prensadas contra o muro. Já Victor caiu no chão, mas conseguiu se levantar e subir no capô para tentar impedir que Charles fugisse.

O réu, por sua vez, conta não ter visto quando bateu no muro, nem que esmagou Samanta e Micheli, tampouco que viu Victor no para-brisa.

O réu finalizou o depoimento pedindo desculpas, tanto à família de Michelli – que não acompanhou o julgamento, por ainda se recuperar dos danos emocionais e familiares causados pelo acidente – quanto para a família dele.

Atropelamento e morte de Michelli

O atropelamento ocorreu por volta de 1h40 do dia 13 de outubro de 2022, na Avenida Fábio Zahran, em Campo Grande. Michelli estava na calçada quando o carro a atropelou. Uma testemunha, de 32 anos, que presenciou o acidente, acabou arrastada pelo carro até a outra esquina da via, por tentar conter o motorista.

Michelli Alves Custódio era funcionária pública – (Foto: Arquivo, Midiamax)

Michelli havia acabado de chegar de viagem a Corumbá, e tinha guardado o carro na garagem, saindo de sua casa para atender uma mulher. As duas conversavam quando o carro surgiu desgovernado, invadindo a calçada e atropelando a vítima.

O corpo de Michelli foi arrastado por alguns metros e rastros de sangue foram encontrados pela perícia no local, além dos chinelos. Um morador, Celeido Duceu, de 62 anos, contou à época ao Jornal Midiamax que os filhos de Michelli correram até sua casa dizendo que a mãe havia sofrido um acidente.