Iago Gustavo Ribeiro Bronzoni foi condenado a 19 anos de prisão pela morte de Maykel Martins Pacheco, em dezembro de 2019. O corpo da vítima não foi localizado até hoje. “Na cadeia o pessoal fala lá que eu estou preso num negócio que tem um menino vivo, entendeu?”, disse Iago em depoimento, nesta quinta-feira (20), dia do Tribunal do Júri.

O ex-cunhado de Iago Gustavo, Everson da Silva Gauna, de 24 anos, também passou pelo mesmo júri popular. O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) aponta que Everton participou do crime porque esteve presente no local onde Maykel era mantido em cárcere privado enquanto era organizado o julgamento dele no Tribunal do Crime. Ele, por sua vez, foi absolvido de todos os crimes.

Conforme o MPMS, a vítima foi mantida em cárcere privado por ela supostamente ser da facção rival, Comando Vermelho. Além dos ex-cunhados, Tales Valensuela Gonçalves e Márcio Douglas Pereira Rodrigues também estariam envolvidos na morte da vítima. Eles já foram julgados e condenados a 42 anos de prisão.

Desaparecido
O caso chegou até a polícia em 5 de dezembro de 2019, após o rapaz desaparecer da Nhanhá, bairro onde estava morando havia aproximadamente um mês e a mãe dele denunciar que recebeu mensagens de uma namorada de Maykel, informando que o PCC tinha matado ele.

Conforme as investigações policiais, Maykel foi morto pelo PCC mesmo sendo simpatizante à facção criminosa, já que integrantes descobriram que ele já tinha sido faccionado ao Comando Vermelho, quando morava em Rondonópolis (MT). O homicídio começou a ser orquestrado cerca de um mês antes, quando a ex-cunhada e o namorado dela convidaram o rapaz para morar com eles na Nhanhá.

Maykel saiu da casa da mãe e foi morar naquele bairro, onde comercializava drogas. A partir dali, os membros da facção começaram a estudar a vida do rapaz e, quando já tinham informações suficientes, cometeram o crime. A ex-cunhada de Maykel teria topado participar indiretamente do crime porque estaria com dívidas de droga com o PCC.

No dia 4 de dezembro, Maykel foi convidado por Tales para ir até um local buscar drogas, quando o deixou na ‘cantoneira’, como são chamados os cativeiros. Lá, onde moravam Igor e Everson, Maykel teria sido mantido até o dia da execução, fato estranho à polícia, uma vez que é comum a troca de cantoneiras diariamente para despistar.

Os quatro homens presos inicialmente não falaram sobre os outros envolvidos no crime, já que seriam membros do alto escalão do PCC, que estariam à frente do julgamento. Maykel foi levado da cantoneira ao local ainda incerto, no Palio vermelho, que foi apreendido posteriormente e periciado. Foi identificado que outros dois homens teriam participado do homicídio e levado a vítima até o local da execução.

Um dos suspeitos, que seria um dos principais fornecedores de droga de um bairro de Campo Grande, foi identificado e teve prisão preventiva decretada após pedido do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul). Já o outro, seria marido de uma das acusadas da execução de Joice Viana Amorim, decapitada em maio de 2018 pelo PCC, também em tribunal do crime.

Não é descartada a participação da jovem, que atualmente está em liberdade, mas até o momento nada foi comprovado. Após a morte de Maykel, a ex-cunhada dele foi avisada e teve que falar para a namorada do rapaz enviar mensagens para a mãe dele informando sobre o homicídio. Vídeos do jovem em cativeiro chegaram até a polícia, mas até o momento o corpo não teria sido localizado.

*Matéria atualizada às 06h17 para acréscimo de informações