Pai procura delegacia após gêmeos autistas serem agredidos por professor em Campo Grande

Secretaria de Educação disse que caso está sendo apurado
| 14/04/2022
- 09:44
Caso dos irmãos autistas segue em investigação pela Depca
Caso segue em investigação pela Depca - (Foto: Leonardo de França

Um pai procurou a Polícia Civil e registrou um boletim de ocorrência nessa quarta-feira (13), após descobrir que os dois filhos autistas teriam sido agredidos em uma escola municipal de Campo Grande localizada na região do Aero Rancho. A Semed (Secretaria Municipal de Educação) disse que o caso está sendo apurado e que as crianças estão recebendo amparo.

O pai, que é policial, disse ao Midiamax que os filhos são gêmeos e estudam juntos. Nos últimos dias, as crianças passaram a demonstrar comportamento estranho e medo de ir para a escola. A família então conversou com os meninos, até que um deles revelou que ambos estavam sendo agredidos por um professor.

Logo em seguida, o outro irmão confirmou a história. O policial pontuou que os filhos têm direito a um professor especializado para atendê-los em sala de aula, além do professor regente. No entanto, este educador que deveria proporcionar melhor qualidade de ensino, estava os maltratando.

Quando não conseguiam realizar as atividades como os demais alunos, os autistas eram agredidos. Ao tomar conhecimento dos relatos, os pais foram à escola na sexta-feira da semana passada. “Procuramos a coordenação e solicitamos o afastamento do professor e a coordenação disse que resolveria isso”, afirmou o pai.

Autistas agredidos com régua

Ocorre que, já nesta semana, o professor continuou a acompanhar os meninos autistas em sala e voltou a agredi-los, desta vez com uma régua. Os pais foram novamente à escola e conversaram com a direção. “A direção disse que não tinha conhecimento do ocorrido”, reclamou o policial.

Assim, o pai decidiu acionar a DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), para denunciar caso de maus-tratos em sala de aula. “Eles [filhos] passaram pelo atendimento psicossocial da delegacia que confirmou que estavam falando a verdade e que havia traumas das agressões”, pontuou.

O policial afirmou ainda que aguarda providências por parte da instituição de ensino, uma vez que nem mesmo os dados do professor foram cedidos ao pai para registro do boletim de ocorrência. “Disseram que vão fazer uma interna”, explicou

O que diz a Secretaria de Educação

Por meio de nota, a Semed disse que a direção da escola adotou todas as medidas necessárias 'a fim de proteger as crianças em questão e também o professor, até que os fatos sejam integralmente esclarecidos'. Disse também que a mãe das crianças procurou a escola na sexta-feira passada e relatou que os filhos reclamaram do professor ter apagado a atividade no caderno e ter "encostado" no braço deles.

Na terça-feira (12), o profissional foi transferido para outra turma. Na quarta-feira (13), dois dias após a suposta agressão com a régua, o pai esteve na escola duas vezes e foi prontamente atendido pela direção, que solicitou tempo para verificar a nova denúncia. 

"Menos de 30 minutos após a primeira o pai retornou a escola, e a direção explicou que ouviu outros quatro professores que estiveram com a turma e com o profissional de apoio e nenhum deles confirmou as acusações feitas pelos pais. Entendemos e confiamos no trabalho da DEPCA, porém cabe ressaltar que as testemunhas ainda não foram ouvidas na referida investigação (já que o caso só foi registrado ontem a tarde)", diz a Semed.

"Outro ponto é que o professor em questão, que atua como profissional de apoio, está na função com os irmãos desde o início do ano letivo — no dia 3 de março — sem nenhum registro de problema. Além disso, o profissional, em nenhum momento fica sozinho com as crianças, em sala de aula o acompanhamento da professora regente (titular da turma) é integralmente presencial e ela afirma que tais fatos não aconteceram. A Semed preza pela total integridade das crianças, preservando o atendimento educacional. Pontuamos a necessidade de cautela para tratar casos como este".

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