Polícia

Em um ‘inquérito cheio de comoção’, polícia identifica dupla que matou guardador de carros em Campo Grande

Investigação apontou que suspeitos mataram a vítima por conta de uma bicicleta, celular e uma pochete

Graziela Rezende Publicado em 12/01/2022, às 08h10

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Vítima foi encontrada morta na porta da residência (Foto: Leonardo de França, Midiamax)

Nos depoimentos para a polícia, tanto de maneira formal na delegacia como pessoas procuradas nos arredores do Fórum de Campo Grande, o que não faltou foi emoção ao falar do cuidador de carros Eduil Pereira dos Santos, de 49 anos.Morto há 10 meses, a investigação da Derf (Delegacia Especializada em Repressão à Roubos e Furtos) apontou que ele foi vítima de latrocínio, no qual os bandidos o assassinaram por conta de uma bicicleta, o celular e a pochete dele.

Desde que iniciou as buscas, a polícia atuou para identificar os envolvidos e agora conclui o inquérito, nesta quarta-feira (12). No início desta semana e com o mandado de prisão em mãos, uma equipe foi até o assentamento Itamaraty, em Ponta Porã, na região sul do Estado, onde prendeu Tiago Benedito Barbosa de Souza, de 19 anos. De imediato, ele confessou o crime e foi trazido até uma cela, na capital sul-mato-grossense.

“Esse senhor cuidava de carros nas imediações do Fórum, desde a época em que o endereço era na avenida Fernando Côrrea da Costa, então, o que soubemos é que muitas pessoas o conheciam e ficaram comovidas com o crime. Um dos depoimentos, por exemplo, é de uma estagiária que hoje é defensora pública e conhecia a vítima há mais de 20 anos”, afirmou ao Midiamax o delegado Fábio Brandalise, responsável pelas investigações. 

No decorrer do inquérito policial, outro depoimento que chamou a atenção é do proprietário de um estacionamento, que fica nas imediações do Fórum. “O dono deste estabelecimento chorou, ficou muito comovido com a morte do senhor Eduil, dizendo que sempre o via cuidando dos carros da rua e era muito querido. Além disso, um dos assessores de um juiz nos procurou e disse, de forma espontânea, que conhecia a vítima e estava na torcida pela captura dos suspeitos”, relembrou.

Segundo Brandalise, a investigação apontou o envolvimento de duas pessoas. A princípio, como Eduil recebia dinheiro diariamente, os bandidos achavam que ele tinha uma quantia em dinheiro guardada em casa. “Ele vivia nas ruas, porém, era uma pessoa confiável e que estava sempre ali nas imediações do Fórum, então, existiam advogados e servidores que o pagavam, cerca de R$ 50 ao mês. Outros faziam pagamentos diários”, explicou. 

O outro suspeito, no decorrer da investigação da Derf, foi preso por furto. "Nós vamos formalizar o cumprimento do mandado de prisão do latrocínio agora pela manhã, no caso dele. É o crime mais grave do código penal e isso o impedirá de sair da prisão. Ainda nesta manhã (12) nós pretendemos fazer uma coletiva de imprensa e divulgar mais detalhes do caso", finalizou. 

Um dos suspeitos foi preso em Ponta Porã, na região sul do Estado, nessa segunda-feira (10)

Entenda o caso

No dia 5 de março de 2021, Eduil foi encontrado morto em casa, na avenida Ernesto Geisel, no bairro Guanandi, região sul da cidade. Ele morava sozinho e o corpo estava caído próximo à porta, dentro da residência.

Conforme o sobrinho da vítima, Eduardo Moura, de 37 anos, o tio morava sozinho há vários anos. Eduil era cuidador de carros e sempre trabalhou na frente do Fórum, localizado na região central de Campo Grande.

No dia anterior ao crime, conforme testemunhas, ele teria trabalhado normalmente. No entanto, Eduil tinha um problema de hérnia e havia reclamado de dores para familiares, sendo encontrado morto no dia seguinte.

Jornal Midiamax