Agência americana investiga ação do PCC e da máfia italiana em terras paraguaias

Relatórios mostram rastros da parceria entre as duas organizações no controle do tráfico de cocaína e contrabando de cigarros
| 16/05/2022
- 06:33
Agência americana investiga ação do PCC e da máfia italiana em terras paraguaias
Carga de cocaína apreendida no Paraguai era monitorada pela máfia italiana (Foto: Senad)

Levantamentos da DEA (Agência de Inteligência Antidrogas) dos Estado Unidos apontam que a cocaína comercializada na Europa é administrada pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) em parceria com ‘Ndrangheta’, máfia italiana, com origem na Calábria.

Segundo investigações que estão sendo feitas desde 2019 e intensificadas há alguns meses pela polícia americana e também pelo comando tripartite, que envolve Brasil, Argentina e Paraguai, os representantes da máfia calabresa, já estariam com bases instaladas em cidades paraguaias em regiões de fronteira.

Os relatórios de inteligência internacional revelam que a ‘Ndrangheta’ consegue a cocaína diretamente de fornecedores paraguaios e faz um outro contrato com o PCC para transferir a droga ao porto de (Brasil) e de lá entrar no mercado europeu.

Os documentos que eles manejam nos EUA e na Itália, de acordo com informações das agências envolvidas nas investigações, confirmam que o contrabando de cigarros segue a mesma rota de drogas e recebe proteção do grupo de traficantes do PCC.

Em um cruzamento de dados sobre o trabalho de inteligência em São Paulo (Brasil), ele aponta que recursos monetários (reais) provenientes de práticas criminosas estão sendo massivamente contrabandeados para o Paraguai usando a mesma rede de transporte que traz armas, drogas, cigarros e outras mercadorias.

“Uma vez no Paraguai, os reais em dinheiro seriam entregues à de câmbio, que por sua vez os entregaria aos importadores, distribuidores de mercadorias da China, que então entregariam os fundos aos bancos paraguaios sob a alegação de que haviam recebido esses reais do Paraguai”, diz um trecho do relatório do DEA.

O Ministério Público chegou a acusar o empresário e ex-líder esportivo Diego Isaac Benítez Cañete, que teria realizado entre os meses de dezembro de 2020 e fevereiro de 2021 atividades destinadas a enviar a Israel um carregamento de 16.174 quilos de cocaína escondidos em contêineres. Esse produto caiu em Hamburgo, Alemanha.

Outro caso que repercutiu no Paraguai foi o carregamento que complicou Cristian Turrini (ex-ministro da era Federico Franco), que caiu na operação que desmantelou 2.906 quilos de cocaína apreendidos em outubro de 2020 em um porto de Villeta. 

Durante o encontro realizado em Ciudade Del Este,  no final do ano passado, o comando tripartite autorizou a participação do Uruguai nos procedimentos que serão encaminhados para enfrentamento do problema. Além disso, outra medida adotada foi a criação de um centro de fusão de informações na tríplice fronteira entre Paraguai, Brasil e Argentina.

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