Advogada de Campo Grande atraía investidores de criptomoedas com festas regadas a whisky e champanhe

Ela operava esquema de pirâmide em Campo Grande
| 04/02/2022
- 20:37
Eliane foi presa em Campo Grande pela Polícia Federal
Advogada foi presa na Operação Valeta da Polícia Federal - (Divulgação)

Eliane Medeiros de Lima, advogada presa pela Polícia Federal nesta quinta-feira (3) durante a Operação Valeta – terceira fase da Operação Kryptos – é acusada de operar esquema de pirâmide financeira no mercado das criptomoedas em Campo Grande. Ela é dona da Cointrade Crypto Exchange, alvo de investigação, e abriu a empresa com o irmão.

Cinco vítimas da advogada entraram com ação de nulidade de contrato com antecipação dos efeitos da tutela de urgência e também indenização por danos materiais e morais, em fevereiro de 2021. A defesa esclarece que a Cointrade, plataforma de investimentos e trade de criptomoedas, foi criada em 2018 pelos irmãos Eliane e Antônio Marcos Medeiros.

A empresa foi criada no Uruguai, sem CNPJ brasileiro, e apontava um capital de 60 mil ações, sendo 10 mil de cada irmão. As outras 40 mil ações eram colocadas à venda por valores que variavam de R$ 2 mil, R$ 5 mil e R$ 10 mil. Segundo as vítimas, os preços dependiam do poder aquisitivo dos compradores, sem parâmetros estabelecidos.

As vendas das ações pela empresa renderiam ao menos 299 dólares por mês para cada investidor. Ao menos esta era a propaganda feita pelos irmãos Medeiros.

Atraíam as vítimas

Na ação, é relatado que Eliane e Marcos entraram em contato com os compradores, oferecendo as ações. Eles promoviam festas e glamorosos, regados a whisky importado, champanhe francesa e vinhos caros, atraindo as possíveis vítimas que acabavam acreditando nos réus.

“Toda esta estrutura foi montada única e exclusivamente para ludibriar os compradores e arrecadar vultuosas quantias de recursos”, alega a defesa. Eliane é apontada como CEO da empresa, que tinha como sócio o irmão. No entanto, um problema pessoal entre eles afastou Antônio da sociedade.

As vítimas que compraram as ações acabaram descobrindo que Eliane desviava os recursos da empresa para “engordar seu patrimônio pessoal comprando imóveis, veículos e criptomoedas”. As vítimas chegaram a gastar valores altos com as supostas ações. O total foi estimado em R$ 500 mil.

Foi solicitada indenização pelos danos causados aos compradores, convencidos a investir após serem atraídos pela e pela aparência séria da empresa, que revelou ser um esquema de pirâmide financeira. A defesa solicitou a tutela de urgência para bloqueio das contas da advogada, na ordem de R$ 800 mil.

Decisões

Em 7 de junho de 2021, o juiz Alexandre Corrêa Leite da 13ª Vara Cível Residual decidiu que não havia elemento probatório suficiente para deferir o pedido, sendo indeferida a tutela de urgência. Ainda em 2021, após a primeira fase da Operação Kryptos em agosto, quando Glaidson Acácio dos Santos, o ‘Faraó do Bitcoin’ foi preso, novas provas foram acrescentadas à ação.

Em setembro de 2021 Eliane foi indiciada pela participação na organização criminosa liderada por Glaidson, dono da GAS, alvo da operação da PF. Ela foi apontada como responsável pela lavagem de capitais, tendo enviado aproximadamente R$ 324 milhões ao exterior em pouco mais de um ano.

Em dezembro de 2021, nova decisão do juiz Alexandre Corrêa Leite pontuou que os novos elementos apresentados indicavam que os autores da ação tinham sido vítimas de golpe de pirâmide financeira. As transações feitas pela advogada “indicam tipicidade própria de fraudes dessa natureza por meio de investimentos offshore feitos em empresas de criptomoedas de origem duvidosa”.

Foi deferida então tutela de urgência para bloqueio de R$ 455.750,00 das contas de Antônio Marcos e da irmã Eliane Medeiros, além das empresas Cointrade e Megaconsulting Informática LTDA.

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